domingo, 9 de junho de 2019

A CASA III E O TERCEIRO MANDAMENTO

Imagem da revista Rays from the Rose Cross,out. 1988 editada por Rosacruz e Devoção
Não pronunciarás o nome do teu Deus em vão”.

Neste fabuloso mandamento encontramos a oportuna advertência sobre o correto e sagrado emprego da faculdade da linguagem. A terceira casa do horóscopo (assim como o signo correspondente Gêmeos), determinam nossas habilidades no âmbito da aprendizagem e da comunicação. É um setor fortemente influenciado pelo planeta Mercúrio (Hermes, na Grécia).

Na Mitologia encontramos narrativas curiosas sobre essa sagaz e buliçosa divindade: diz-se que manejava a retórica com incrível malabarismo, declinando, em inúmeros episódios, na falsidade, na demagogia, na dissimulação e até no furto. Verifica-se, portanto, uma tendência quase irresistível à profanação do Verbo Criador. Donde a necessidade de permanecermos atentos à ética e à reverência pelo que é celestial. Logo, devemos exercitar as seguintes proposições:

1.   O discernimento no uso da linguagem

2.   Evitar o desperdício de energia com tolices e frivolidades

3.   Alimentar o intelecto com as Sagradas Escrituras, pois estas estabilizam e orientam nossas funções mentais; harmonizam as vibrações planetárias da Lua, Mercúrio e Netuno.

4.   Lembrar que a Palavra é Santa, sua vibração vem carregada de vigor e poder. Está intimamente associada à Rosa Branca do símbolo Rosacruz (a força criadora direcionada pela laringe).

5.   Refletir sobre mitos, símbolos, parábolas e alegorias, pois estes falam diretamente à consciência; estabelecem elos arqueológicos com as verdades mais intimas da alma humana (vale lembrar o valor da astrologia como ciência capaz de reunir arte, ciência e religião).

6.   A matemática e a música como linguagem espirituais são reveladoras das chaves do universo e da harmonia entre as criaturas. Cultivemo-las.

7.   Manter a substância mental em receptiva plasticidade, em estado fluídico de adaptabilidade que realça a predisposição para aprender continuamente, evitando o endurecimento de conceitos e juízos.

“A iniquidade não reside naquilo que entra pela boca do homem, mas naquilo que dela sai”.

“Bem aventurados os humildes”.

Publicado no ECOS, março de 2004 da Fraternidade Rosacruz 
Sede Central do Brasil

domingo, 10 de março de 2019

ASTROLOGIA E PODER

extraído de PODER ESPIRITUAL VERSUS PODER TEMPORAL por Eduardo Aroso. 
Baixe aqui o PDF  da obra completa

Parece ser interessante olharmos também o assunto na vertente astrológica. A irradiação do poder de um centro para a periferia, de um ser para benefício de outros (pois exercer o poder é sempre a oportunidade para expansão de consciência de quem o exerce) está nos signos opostos (melhor será dizer complementares) Leão e Aquário. O primeiro, atribuído tradicionalmente à realeza, significa o poder concentrado, daí o egoísmo ou o despotismo que pode provocar quando se responde negativa e maioritariamente à natureza leonina. O signo complementar, Aquário, significa a partilha do poder com outros e para outros, característico das democracias, um repto ao altruísmo de Urano e à seriedade de Saturno regentes deste signo. 

Mas a situação uraniana e aquariana de poder pode ser difusa, excêntrica e mesmo caótica (Urano seu regente, no pior), perdida a consciência central solar, daí Aquário ser regido também por Saturno, o estruturador com realismo. Quando o lado pior de Aquário surge, requer-se uma âncora e voltamos a Leão, à consciência de que há um centro, seja apenas (e já bastante) o empenho do governante para com o povo, seja por aquele que governa já com a consciência espiritual ancorada num centro mais amplo, solar, ou divino. Pode ser um mestre, um avatar. Esta oscilação do sentido de poder verificou-se com nitidez há pouco mais de dois séculos quando se passou bruscamente do «L’ État c’est moi» (Luis XIV) a «Liberté, Égalité, Fraternité», ou seja, simbolicamente, de Leão para Aquário, ou melhor, do lado negativo do Sol (autocrático) para a liberdade de Urano, mas também para as excentricidades e libertinagens, tudo consequências do trânsito humano. Não foi por acaso que a descoberta do planeta Urano (1781) coincidiu, sensivelmente, com a Revolução Francesa (1789).

A oscilação e tentação destas duas tendências opostas de exercer o poder (monarquia/democracia) ilustra o significado do aspecto de oposição em astrologia, neste caso de Leão-Aquário. As forças de um e outro lado devem equilibrar-se, devem “beber” do melhor que há em cada lado. É importante meditarmos no seguinte: na próxima Era de Aquário o signo oposto está necessariamente incluído, pois que para que Aquário expresse o seu melhor, terá que ter também o amor irradiante de Leão.

Aproveitando o ensejo, pode-se ainda perguntar como podemos fazer uma leitura da potencialidade do poder de uma pessoa através do seu horóscopo. O assunto não é fácil, sobretudo quando se trata de indagar o poder espiritual mais do que qualquer outro. Contudo, há linhas de orientação que podem dar algumas pistas sendo necessário ter em conta como se reage às vibrações planetárias, se respondemos mais ou menos positivamente aos signos e planetas. A experiência astrológica tem demonstrado que um stellium (junção de 3 ou mais planetas) elevados, junto ao Meio-do-Céu, e estando também o ascendente num signo fixo (de preferência Leão) pode conferir capacidades de comando e visibilidade. Também Sagitário e o seu regente Júpiter (símbolos portadores de Luz).

Charles E. O. Carter na sua Enciclopédia de Astrologia Psicológica, refere-se - e em resumo - aos poderes criativos como resultantes do raio solar e da 5ª casa e o signo que está na sua cúspide; quanto aos poderes curativos, diz que os indicadores são de natureza variada, mas normalmente as pessoas têm os ascendentes em signos fixo se Mercúrio em aspecto forte com Urano e Neptuno; quanto aos poderes mágicos (querendo dizer os de clarividência, proféticos e outros) dá as ligações de Marte com Neptuno como frequente e a 6ª e 12ª casas que são as do cerimonial, mas aponta como forte alguma ligação que implique Vénus, Marte, Lua e Plutão. Em suma, podemos dizer que aspectos que envolvam planetas transpessoais (Urano, Neptuno e Plutão) em ligações com outros podem ser indicadores de poderes espirituais latentes ou já manifestos.

Que sentido espiritual faz toda esta ideia de exercer o chamado «estado de excepção»? É evidente que esta situação não usual de exercer o poder coloca logo o livre-arbítrio ou o aspecto mais profundo da vontade. Quem tem que decidir assim, estando temporariamente acima, não obedece a regras jurídicas por deficiência destas, mas apenas à consciência de soberano e ao seu livre-arbítrio. Os mestres espirituais, no nosso caso os Irmãos Maiores da Rosacruz, quanto à sua relação com os discípulos, não parece que exerçam essa peculiar forma de poder, pois conhecem e vivem de acordo com as leis divinas que não são as leis humanas. Eles não obrigam ninguém, agindo apenas como conselheiros e amigos na hora certa. Se o fazem como «estado se excepção» será numa dimensão mais elevada, noutros assuntos que não nos dizem respeito, pois conforme disse Max Heindel, também eles cometem erros no seu labor, todavia muito acima do nosso viver, enganos que não podemos compreender. Em oitavas superiores, num plano ainda mais elevado, como é dito no Serviço Devocional, os Anjos do Destino estão acima de todos os erros que a humanidade possa cometer.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Sobre as Bodas Nupciais entre Sol e Lua


Assim era a denominação – o casamento entre o sol e a lua - que a probacionista Ana Rondini Tempera(*) referia-se à conjunção – mensal - do Sol com a Lua. E sempre acrescentava:

- Somos convidados, mensalmente, a este casamento; o convite nos chega através dos signos e casas de nosso Tema Natal, onde localiza-se esta conjunção.

Por longos anos tivemos interessantes conversas sobre astrologia – que ela tanto amava – e me dizia sempre ser esta uma das melhores definições destes sagrados ensinamentos:

O HOMEM É ELE E SUAS CIRCUNSTÂNCIAS (José Ortega y Gasset – 1883/1955), filosofo, jornalista e escritor espanhol).
 
Foi uma irmã que nos exortava a vivenciarmos a astrologia - e não apenas a conhece-la - na forma de transmutarmos nossas (determinadas) conjunções, quadraturas e oposições em (outras determinadas) conjunções), sextis e trígonos;

- Nossos pensamentos, palavras e ações, constituem-se na única forma de trabalharmos nesta obra alquímica.

Para dimensionar a importância deste evento astrológico, a conjunção entre Sol e Lua, Max Heindel (Iniciação Antiga e Moderna – capítulo VI – a Lua Nova e a Iniciação), nos fala que, na noite mais longa e escura do mês (a noite da Lua Nova) dá-se o nascimento do Auxiliar Invisível.

Também por anos o Departamento Esotérico da The Rosicrucian Fellowship, nos orientou a acompanharmos este evento astrológico. Evidente que o horóscopo não deve possuir uma conclusiva apenas por um aspecto, mas esta conjunção mensal entre Sol e Lua (a casa onde ocorre e os aspectos com planetas radicais), devem ser (também) levados em consideração, por possuir a característica da individuação: a conjunção Sol/Lua é a mesma, mas irá localizar-se em casas diferentes entre as pessoas, assim como os possíveis aspectos que realizam com os planetas radicais, ascendente e meio do céu.

ABAIXO, AS CONJUNÇÕES ENTRE SOL E LUA PARA O ANO DE 2019


Consulte seu Tema Natal (horóscopo) mensalmente; veja em que Casa ocorrem estas lunações - há uma tendência desta Casa Zodiacal e a tudo o que ela se relaciona, ser ativada até a próxima lunação. Observe também se esta lunação faz aspectos (conjunções, sêxtis, quadraturas, trígonos ou oposições) com algum planeta radical, Meio Céu, Cabeça / Cauda do Dragão, Roda da Fortuna ou Ascendente. Existem APPs (aplicativos) que fornecem estes dados conforme o horoscopo individual da pessoa.

INFORMAÇÕES IMPORTANTES:
1. Considerou-se o Horário de Brasília e desconsiderou-se o Horário Brasileiro de Verão.
2. As datas acima não estão relacionadas com as fornecidas anualmente pela nossa Sede Mundial (Oceanside), para o oficiamento do Ritual Rosacruz de Lua Nova para probacionistas ativos, devido aos diversos fusos horários existentes no mundo.
3. Cabe aqui uma profunda meditação (e vivência) sobre os dizeres "O amor na prática astrológica”.

(*) Ana Rondini Tempera e seu esposo - Armando Tempera - vieram da Itália para o Brasil na década de 50, fixando-se na cidade paulista de São Caetano do Sul, onde alcançaram o grau de probacionistas. Em 1.955, participaram da fundação dos Centros Rosacruzes de Santo André (maio) e de São Paulo (setembro).

Jamais perderam o sotaque das terras de Dante Aliguieri... jamais deixaram de colaborar com a Fraternidade Rosacruz.

Contribuíram – muito – na parte financeira, arcando com várias despesas para a manutenção destes Centros. Ana Rondini Tempera oficiava Rituais Rosacruzes com uma característica vocal impressionante; como se os dizeres do referido Ritual tivessem forma e vida. Sempre enalteceu o trabalho de Max Heindel, como fiel mensageiros dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, na divulgação destes Ensinamentos.

Durante décadas, nas datas de aniversário (23 de julho) e falecimento (06 de janeiro) do Sr. Heindel, esta irmã sempre lhe prestou homenagens, sendo oportuno lembrarmos que neste janeiro de 2.019 acontece o centenário de falecimento do fundador da Fraternidade Rosacruz.

domingo, 25 de novembro de 2018

As Casas Sem Planetas ( uma pergunta - uma resposta)



Perg.: (1) No mapa astral de um sujeito, neste caso é criança ainda, a ausência de elementos na 12- casa poderá querer dizer que não há uma lição “kármica” a ser retirada neste âmbito, ou que não há dividas anteriores no que a isto se refere?. E se assim for,(2) poderá ser porque já teria “saldado estas 'dividas” ou porque ainda não as teria feito simplesmente?.  Outra dúvida que eu tenho, (3) sempre que não há elementos nas casas zodiacais, isso pode ser por estarem essas 'lições' aprendidas, ou pode ser indicação de que ainda não houve tempo (vidas) para 'contrair' dividas que se relacionem com essas mesmas casas?

Resp.(1):Sempre e sempre, repetimos, as Divinas Hierarquias planetárias e zodiacais, estão - através de nosso tema natal - nos enviando suas bênçãos.

A ausência de planetas nas casas (seja a 12 ou qualquer outra) não significa, de modo algum, que não existam ensinamentos a serem assimilados nessas casas. O mesmo valendo para bênçãos a serem colhidas.

Em uma interpretação das casas onde não há planetas devemos observar:

1.   Qual o signo que ocupa a cúspide da casa que queremos analisar (cúspide = primeiros graus de uma casa)

2.   Qual é o planeta que rege o signo encontrado nessa cúspide.

3.   Em seguida: onde é que este planeta se encontra (signo e casa).

4.   Depois considere todos os aspectos que este planeta possui.

Veja o exemplo abaixo que é do livro Mensagem das Estrelas e que coincidentemente possui a casa 12 sem planetas. Aliás, possui várias casas sem planetas. Mas tomemos a própria casa 12 como exemplo:

      Não há planetas na casa 12.

   Na cúspide da casa 12 encontramos o signo de Escorpião (7º grau de Escorpião).Isto já nos diz que o nativo deste horóscopo tem sua casa 12 com a influência da natureza  escorpiana.

    O regente de Escorpião (Marte) está na casa 9 e no signo de Leão. Então todas essas influências também deverão ser consideradas para a casa 12 da pessoa com este horóscopo. E mais ainda os aspectos que Marte porventura estiver fazendo.

NOTA: Como este horóscopo é anterior a descoberta de Plutão (co-regente de Escorpião), Plutão aqui não aparece, se aparecesse também deveria ser analisado e considerado.

A princípio ainda não tendo vivência dos ensinamentos astrológicos, essa análise é um pouco complicada, mas com a prática torna-se algo fantástico.

Resp. (2 e 3): Pelo exposto acima você certamente concluiu que não é assim.

Além disso, não pensemos apenas em dívidas ou “Karma” (que Max Heindel chama de destino maduro). Como estamos em uma ESCOLA estamos constantemente aprendendo.

Há também as bênçãos recebidas por nossos atos de bondade e pelo que fizemos a favor das Leis da Evolução.  E, tudo isto está marcado em um horóscopo. A cada nova lição novos erros e acertos até que nos aperfeiçoemos por fim nos doze departamentos da vida.

Estamos longe da perfeição. Contraímos mais dívidas do que créditos em praticamente todas as casas, nas inúmeras vidas que já tivemos, mas, procuremos sempre examinar um horóscopo focalizando nas oportunidades de aprendizado que nos dão as Divinas Hierarquias Zodiacais. 

Como atualmente é comum as pessoas terem acesso fácil ao seu mapa devido a tantos programas na internet, sugerimos a interpretação do mapa com o acompanhamento do livro Mensagem das Estrelas que possui o devido respaldo espiritual que procuramos. 

Que as Rosas floresçam em vossa cruz

MENSAGEM DAS ESTRELAS – espanhol
MENSAGEM DAS ESTRELAS

domingo, 19 de agosto de 2018

Astrologia e Ensino (parte 2)


por Elman Bacher
Considerando ainda, o desenho em cruz, formado pelos signos comuns, vemos que os aspectos de oposição têm suas raízes no hemisfério inferior com Mercúrio em Gêmini e Mercúrio em Virgo. Um Mercúrio degenerado comprometido pela consciência de níveis inferiores de "praticabilidade", "conveniência pessoal", "fidelidade à letra" e "avaliação superficial" deve elevar-se às "copas", às ramagens dos extremos superiores, a fim de frutificar impessoalmente e desfazer destinos. A "praticabilidade", a "conveniência pessoal", a "fidelidade à letra", e "avaliação superficial" são frases-chave pertencentes àqueles níveis de consciência ainda carentes de impessoalidade.  É o caso de pessoas que na profissão de professor, exprimem Mercúrio irregenerado; que se apoiam no interesse próprio e atendem ao "que melhor paga", "ao cargo que mais prestígio proporciona" ao "que lhe dá mais erudição", ao que o leva "à mais breve aposentadoria", à "maior pensão", aos "ambientes agradáveis" e outras motivações semelhantes, acima de quaisquer outras de sua tarefa de educador. Tais motivações ocorrem a indivíduos que passam ainda por primitivos níveis de consciência educativa, que devem ser regenerados pelos padrões de SERVIÇO-AMOR. Até que este ponto não seja atingido, o verdadeiro professor não pode surgir. Isto se aplica aos expositores de nossa fraternidade.

Astrologicamente, tudo o que foi anteriormente dito neste artigo, pode ser assim expresso: "até que o interesse próprio não tenha transcendido o ciclo inicial Mercúrio-Gêmini não encontra seu cumprimento espiritualizante em Netuno-Piscis, através de Júpiter-Sagitário.

Uma vez que Júpiter, como símbolo do mestre, é encontrado no hemisfério superior do círculo, chegamos à conclusão de que os fatores íntimos, as determinantes altruístas egóicas, são as que, acima dos fatores externos, identificam e motivam o verdadeiro expositor. Os problemas que ele mais focaliza são os da alma. Ele sente veemente desejo de incutir-nos outros, de levá-los a transcender o que podemos designar "qualidades negativas de Júpiter", por exemplo: orgulho intelectual, que leva o professor a fixar-se em níveis egoístas, motivado pelo sentimento de sentir-se superior aos que ensina.

Todo aquele que sinceramente luta para superar essa tendência, encontrará ajuda na compreensão de que jamais poderá ele ser repositório de todo o conhecimento, de todos os aspectos do que particularmente ensina. Ao contrário, ele é como um irmão mais velho daqueles a quem ensina e somente na matéria que ensina. Deve reconhecer que apenas é um motivador, um que procura suscitar o desenvolvimento de seus pupilos, servindo de "ponto modulante", de transição dos níveis de inocência em que estão, para os níveis em que se encontra o expositor. Nunca deve olvidar os tropeços que ele próprio encontrou no caminho desse aprendizado, que é uma parte da experiência que comunica.

Em outras palavras, o professor deve manter, em relação à tarefa de ensinar, uma atitude fluídica, comunicativa, expansiva, dinâmica, amorosa, serviçal, buscando sempre melhorar e ampliar seus conhecimentos, numa constante renovação de experiências e aprimoramento, seu e de seus pupilos. Desse modo ele vive e expressa as palavras-chave de Júpiter regenerado, neutralizantes e preventivas da cristalização que lhe poderia provocar o orgulho.

Outra expressão de Júpiter irregenerado, de vaidade e mesquinhez, é o desejo de reconhecimento e de elogios. Nesse nível, o professor procura continuamente sobressair se entre os colegas para compensar a inveja que deles tenha. Recebe com prazer a adulação dos alunos e este logo se apercebem de seu ponto fraco, perdendo-lhe o respeito natural. Fala sempre de seu trabalho para assegurar-se da boa opinião dos outros. O centro desta falha reside no desejo de fazer figura, de levar muito em conta a opinião dos outros a seu respeito. Ora, tal ponto de vista leva em si mesma a semente de desintegração da faculdade educativa, de vez que, a preocupação de concentrar em si mesmo os méritos do trabalho, entrava, prejudica o fluxo de iluminação, de amor, que deveria ser vertido para fora e para os demais. O propósito da tarefa educativa não deve ser o autoengrandecimento senão a iluminação da consciência dos alunos. O professor que conserva sua integridade como trabalhador consciente e amoroso, é o que pode ser chamado “um mestre hígido e humilde”, porque respeita e ama seu trabalho, cultiva sua habilidade para que sua tarefa cresça em proficiência, é grato a todas as sugestões e acolhe-as de boa vontade, tirando-lhes o proveito que podem dar. Sua atitude para com seus colegas é de sincera apreciação ao trabalho incentivo aos esforços honestos e não o de competição, porque sabe que cada um, segundo sua idiossincrasia, tem seu modo de receber as coisas e uma contribuição original a fazer. Ajuda sempre que pode e está sempre disposto a aprender dos demais. Em outras palavras, ele utiliza a palavra-chave jupteriana: "melhoramento” e mantém, da mesma, a motivação espiritual e regenerada.

O verdadeiro mestre jamais exerce poder sobre seus pupilos nem lhes limita a justa liberdade. Em verdade os alunos são suscetíveis de influência por parte do professor, mas este deve estar alerta para essa grande responsabilidade, de modo que seu exemplo, seu modo de pensar, de agir, seus conceitos todos possam exprimir o melhor que ele tem e que ele desejaria a seus alunos. Se a motivação da atividade do professor é amorosa, ele encontra felicidade no progresso dos alunos. Com alegria acompanha o desabrochar das faculdades deles e seu emergir de um nível inferior a um nível superior de consciência. Seu. Impulso é sempre o de ajudá-los a crescer por dentro e de superar-se, e não o de sujeitá-los, limitá-los meramente a seus próprios conceitos. O resultado que ele pode obter, como mestre, é o de erguer seus pupilos da condição em que se encontram, de modo que possam superá-lo e se tornarem instrumentos de realização de um ainda mais construtivo trabalho futuro, como seus sucessores. Deve despertar-lhes a devoção pelo serviço a humanidade, de modo que pelo convívio cheguem a nutrir essa vivência comum e acender no altar interno os sírios de seus altruísticos propósitos

O símbolo do caminho do mestre, em sua mais sutil forma, espiritualizada, encontra- se no quarto quadrante da cruz de signos comuns: (10ª, 11ª e 12ª casas, Capricórnio, Aquário e Peixes), isto é, o roteiro que vai de Júpiter na nona casa, até Netuno na  décima segunda. Em esfera mais ampla, esse é também, o padrão de experiência do Irmão Maior - o iluminador de Almas, a radiação da Sabedoria, da Filosofia, das Artes; é o universal concentrado num trabalho redentor. Em tal campo de cultivo das faculdades intelectivas, o aluno deve ser compreendido pelo mestre e por este ajudado a transcender seus limites, alargando-os constantemente. O professor deve levar o aluno a identificar-se com seus princípios vitais, com seus valores espirituais e aspirações e não com seus desejos e ambições e o mais eficaz meio de consegui-lo é galvanizar-lhe o interesse por esse lado superior, através do contato com a iluminada inteligência e espiritualizada consciência que lhe revele como mestre ideal.

Mais um desenho: Áries na cúspide da primeira casa, Léo na cúspide da quinta casa Sagitário na cúspide da nona casa. Marte na primeira casa, Sol na quinta casa, Júpiter na nona casa. Temos aí a Trindade dos signos de fogo. Marte diz: "EU SOU" (manifestação do UM). O Sol diz: “EU SOU o poder radiante do amor”. Júpiter diz: "EU SOU a radiação da sabedoria".



Esse desenho triangular figura a consciência dinâmica, Júpiter, na qualidade de Mestre simboliza aqui a paternidade espiritual: o pai a guiar o desenvolvimento e a iluminação do conhecimento evoluinte de suas “crianças”. Em termos humanos, Júpiter é aqui visto representar as responsabilidades espirituais da paternidade, a responsabilidade de todos os pais no provimento espiritual e dos meios físicos daqueles que, por seu intermédio, reencarnaram.

Em níveis impessoais, Júpiter revela uma equivalente paternidade espiritual, de todos os mestres em relação a seus alunos, que, em níveis mentais ou na matéria particular que ensina são ainda como crianças. Os pais podem ser os mestres, mas todo verdadeiro mestre comunica a seus pupilos sua radiação de Poder-Amor, que torna mais completo o cumprimento de seu SERVIÇO-ENSINAMENTO porque funde o coração e a mente numa equilibrada formação.
Traduzido de Estudos de Astrologia, (O Astrólogo debate o Ensino), Elman Bacher pela
Fraternidade Rosacruz Sede Central do Brasil e publicado na revista Serviço Rosacruz, janeiro, 1978