domingo, 19 de agosto de 2018

Astrologia e Ensino (parte 2)


por Elman Bacher
Considerando ainda, o desenho em cruz, formado pelos signos comuns, vemos que os aspectos de oposição têm suas raízes no hemisfério inferior com Mercúrio em Gêmini e Mercúrio em Virgo. Um Mercúrio degenerado comprometido pela consciência de níveis inferiores de "praticabilidade", "conveniência pessoal", "fidelidade à letra" e "avaliação superficial" deve elevar-se às "copas", às ramagens dos extremos superiores, a fim de frutificar impessoalmente e desfazer destinos. A "praticabilidade", a "conveniência pessoal", a "fidelidade à letra", e "avaliação superficial" são frases-chave pertencentes àqueles níveis de consciência ainda carentes de impessoalidade.  É o caso de pessoas que na profissão de professor, exprimem Mercúrio irregenerado; que se apoiam no interesse próprio e atendem ao "que melhor paga", "ao cargo que mais prestígio proporciona" ao "que lhe dá mais erudição", ao que o leva "à mais breve aposentadoria", à "maior pensão", aos "ambientes agradáveis" e outras motivações semelhantes, acima de quaisquer outras de sua tarefa de educador. Tais motivações ocorrem a indivíduos que passam ainda por primitivos níveis de consciência educativa, que devem ser regenerados pelos padrões de SERVIÇO-AMOR. Até que este ponto não seja atingido, o verdadeiro professor não pode surgir. Isto se aplica aos expositores de nossa fraternidade.

Astrologicamente, tudo o que foi anteriormente dito neste artigo, pode ser assim expresso: "até que o interesse próprio não tenha transcendido o ciclo inicial Mercúrio-Gêmini não encontra seu cumprimento espiritualizante em Netuno-Piscis, através de Júpiter-Sagitário.

Uma vez que Júpiter, como símbolo do mestre, é encontrado no hemisfério superior do círculo, chegamos à conclusão de que os fatores íntimos, as determinantes altruístas egóicas, são as que, acima dos fatores externos, identificam e motivam o verdadeiro expositor. Os problemas que ele mais focaliza são os da alma. Ele sente veemente desejo de incutir-nos outros, de levá-los a transcender o que podemos designar "qualidades negativas de Júpiter", por exemplo: orgulho intelectual, que leva o professor a fixar-se em níveis egoístas, motivado pelo sentimento de sentir-se superior aos que ensina.

Todo aquele que sinceramente luta para superar essa tendência, encontrará ajuda na compreensão de que jamais poderá ele ser repositório de todo o conhecimento, de todos os aspectos do que particularmente ensina. Ao contrário, ele é como um irmão mais velho daqueles a quem ensina e somente na matéria que ensina. Deve reconhecer que apenas é um motivador, um que procura suscitar o desenvolvimento de seus pupilos, servindo de "ponto modulante", de transição dos níveis de inocência em que estão, para os níveis em que se encontra o expositor. Nunca deve olvidar os tropeços que ele próprio encontrou no caminho desse aprendizado, que é uma parte da experiência que comunica.

Em outras palavras, o professor deve manter, em relação à tarefa de ensinar, uma atitude fluídica, comunicativa, expansiva, dinâmica, amorosa, serviçal, buscando sempre melhorar e ampliar seus conhecimentos, numa constante renovação de experiências e aprimoramento, seu e de seus pupilos. Desse modo ele vive e expressa as palavras-chave de Júpiter regenerado, neutralizantes e preventivas da cristalização que lhe poderia provocar o orgulho.

Outra expressão de Júpiter irregenerado, de vaidade e mesquinhez, é o desejo de reconhecimento e de elogios. Nesse nível, o professor procura continuamente sobressair se entre os colegas para compensar a inveja que deles tenha. Recebe com prazer a adulação dos alunos e este logo se apercebem de seu ponto fraco, perdendo-lhe o respeito natural. Fala sempre de seu trabalho para assegurar-se da boa opinião dos outros. O centro desta falha reside no desejo de fazer figura, de levar muito em conta a opinião dos outros a seu respeito. Ora, tal ponto de vista leva em si mesma a semente de desintegração da faculdade educativa, de vez que, a preocupação de concentrar em si mesmo os méritos do trabalho, entrava, prejudica o fluxo de iluminação, de amor, que deveria ser vertido para fora e para os demais. O propósito da tarefa educativa não deve ser o autoengrandecimento senão a iluminação da consciência dos alunos. O professor que conserva sua integridade como trabalhador consciente e amoroso, é o que pode ser chamado “um mestre hígido e humilde”, porque respeita e ama seu trabalho, cultiva sua habilidade para que sua tarefa cresça em proficiência, é grato a todas as sugestões e acolhe-as de boa vontade, tirando-lhes o proveito que podem dar. Sua atitude para com seus colegas é de sincera apreciação ao trabalho incentivo aos esforços honestos e não o de competição, porque sabe que cada um, segundo sua idiossincrasia, tem seu modo de receber as coisas e uma contribuição original a fazer. Ajuda sempre que pode e está sempre disposto a aprender dos demais. Em outras palavras, ele utiliza a palavra-chave jupteriana: "melhoramento” e mantém, da mesma, a motivação espiritual e regenerada.

O verdadeiro mestre jamais exerce poder sobre seus pupilos nem lhes limita a justa liberdade. Em verdade os alunos são suscetíveis de influência por parte do professor, mas este deve estar alerta para essa grande responsabilidade, de modo que seu exemplo, seu modo de pensar, de agir, seus conceitos todos possam exprimir o melhor que ele tem e que ele desejaria a seus alunos. Se a motivação da atividade do professor é amorosa, ele encontra felicidade no progresso dos alunos. Com alegria acompanha o desabrochar das faculdades deles e seu emergir de um nível inferior a um nível superior de consciência. Seu. Impulso é sempre o de ajudá-los a crescer por dentro e de superar-se, e não o de sujeitá-los, limitá-los meramente a seus próprios conceitos. O resultado que ele pode obter, como mestre, é o de erguer seus pupilos da condição em que se encontram, de modo que possam superá-lo e se tornarem instrumentos de realização de um ainda mais construtivo trabalho futuro, como seus sucessores. Deve despertar-lhes a devoção pelo serviço a humanidade, de modo que pelo convívio cheguem a nutrir essa vivência comum e acender no altar interno os sírios de seus altruísticos propósitos

O símbolo do caminho do mestre, em sua mais sutil forma, espiritualizada, encontra- se no quarto quadrante da cruz de signos comuns: (10ª, 11ª e 12ª casas, Capricórnio, Aquário e Peixes), isto é, o roteiro que vai de Júpiter na nona casa, até Netuno na  décima segunda. Em esfera mais ampla, esse é também, o padrão de experiência do Irmão Maior - o iluminador de Almas, a radiação da Sabedoria, da Filosofia, das Artes; é o universal concentrado num trabalho redentor. Em tal campo de cultivo das faculdades intelectivas, o aluno deve ser compreendido pelo mestre e por este ajudado a transcender seus limites, alargando-os constantemente. O professor deve levar o aluno a identificar-se com seus princípios vitais, com seus valores espirituais e aspirações e não com seus desejos e ambições e o mais eficaz meio de consegui-lo é galvanizar-lhe o interesse por esse lado superior, através do contato com a iluminada inteligência e espiritualizada consciência que lhe revele como mestre ideal.

Mais um desenho: Áries na cúspide da primeira casa, Léo na cúspide da quinta casa Sagitário na cúspide da nona casa. Marte na primeira casa, Sol na quinta casa, Júpiter na nona casa. Temos aí a Trindade dos signos de fogo. Marte diz: "EU SOU" (manifestação do UM). O Sol diz: “EU SOU o poder radiante do amor”. Júpiter diz: "EU SOU a radiação da sabedoria".



Esse desenho triangular figura a consciência dinâmica, Júpiter, na qualidade de Mestre simboliza aqui a paternidade espiritual: o pai a guiar o desenvolvimento e a iluminação do conhecimento evoluinte de suas “crianças”. Em termos humanos, Júpiter é aqui visto representar as responsabilidades espirituais da paternidade, a responsabilidade de todos os pais no provimento espiritual e dos meios físicos daqueles que, por seu intermédio, reencarnaram.

Em níveis impessoais, Júpiter revela uma equivalente paternidade espiritual, de todos os mestres em relação a seus alunos, que, em níveis mentais ou na matéria particular que ensina são ainda como crianças. Os pais podem ser os mestres, mas todo verdadeiro mestre comunica a seus pupilos sua radiação de Poder-Amor, que torna mais completo o cumprimento de seu SERVIÇO-ENSINAMENTO porque funde o coração e a mente numa equilibrada formação.
Traduzido de Estudos de Astrologia, (O Astrólogo debate o Ensino), Elman Bacher pela
Fraternidade Rosacruz Sede Central do Brasil e publicado na revista Serviço Rosacruz, janeiro, 1978

domingo, 1 de julho de 2018

Sagradas Estruturas Zodiacais: O Ritual Rosacruz de Cura


por Jonas Taucci
Quando um Centro Rosacruz oficia o Ritual de Cura (veja aqui), uma série de fatores são colocados em ação:

A)O cumprimento da exortação de Cristo; pregar o evangelho e curar os enfermos (Mateus 10:07 e 08).

B)As orações dos presentes (importantíssimas na reunião) são direcionadas ao símbolo Rosacruz; serão utilizadas por Cristo e os Auxiliares Invisíveis, para serem canalizadas onde se fizerem necessárias.

C)No símbolo Rosacruz, temos a rosa branca (coração do auxiliar invisível), as rosas vermelhas (seu sangue purificado), a cruz branca (seu corpo) e a estrela dourada (dourado manto nupcial). Tudo isto é ativado em direção aos objetivos do Ritual de Cura.

D)O oficiamento deste ritual – bem como todos os demais rituais – fortalece a egrégora do referido Centro Rosacruz. O contrário também é verdadeiro: o não oficiar rituais enfraquece-a.

E)Estes rituais são realizados quando a Lua transita por um dos signos cardinais: (Áries, Câncer, Libra e Capricórnio), representantes também – respectivamente – dos elementos fogo, água, ar e terra. Estes signos possuem, dentre outras, a natureza curativa, sendo colocada em movimento no momento do ritual.

F)O comparecimento a um Centro Rosacruz e a participação neste Ritual, deve ser entendida como uma prestação de serviço às pessoas enfermas.

O texto abaixo - a relação do Ritual Rosacruz de Cura com as Hierarquias Zodiacais – na íntegra, é de autoria dos estimados irmãos probacionistas da Fraternidade Rosacruz Max Heindel, Centro Autorizado do Rio de Janeiro, que sem dúvidas, fielmente prestam este serviço.

“Senhor meu Deus, a ti clamei por socorro, e tu me curaste”(Salmos 30: 02-03)


As reuniões de serviços na FRATERNIDADE ROSACRUZ MAX HEINDEL – Centro Autorizado do Rio de Janeiro, são organizadas alternando-se a leitura dos textos com as músicas constantes do hinário “Songs of Light”, de modo a criar ambiente o mais adequado a uma reunião marcadamente devocional, em que é importante equilibrar o conhecimento da Filosofia Rosacruz com o mais intenso sentimento que possa brotar do coração.

O roteiro adotado para o oficiamento do Ritual Rosacruz de Cura, tem sido o seguinte:

01) Hino de Abertura
02) Canção do Signo
03) Oração Rosacruz
04) Descobrimento do Símbolo Rosacruz
05) Canção do Emblema
06) Leitura do Ritual de Cura
07) Meditação
08) Canção da Rosa Branca
09) Canção “Pater Noster”
10) Recobrimento do Símbolo Rosacruz
11) Hino de Encerramento
12) Palavras de Despedida

 O roteiro adotado tem, portanto, 12 passos e, embora não tenha sido intencionalmente delineado tomando por base os doze signos do zodíaco, pôde-se constatar a marca dos signos em cada um desses passos, o que possivelmente indica ser esse roteiro fruto de uma inspiração.

01) O Hino de Abertura, por sinalizar o começo da reunião, tem a marca de Áries.

02) A Canção do Signo, embora varie a cada mês solar, tem como característica básica uma mensagem trazida pelo signo, uma palavra que chega a todos, ou seja, uma marca de Tauro, que rege o órgão que profere a palavra.

03) A Oração Rosacruz, lida pelo orador, transmite aos presentes uma oração científica, que chega ao intelecto para prepara-lo a cooperar com o coração. Por ser uma oração, chega à nossa lembrança a imagem das mãos postas, as mãos aquinhoadas com os preciosos dons de benzer e curar. A razão diz respeito a Mercúrio, que rege o signo de Gêmeos e as mãos são regidas por este mesmo signo.

04) O descobrimento do Emblema nos leva ao mundo espiritual. Câncer está ligado à alma, como a reveladora verdade, portanto, o descobrimento do Símbolo não deixa de ser a marca de Câncer, levando-nos do mundo material ao mundo da alma.

05) A Canção do Emblema Rosacruz é cantada em “moderato maestoso”, de como convém ao Signo de Léo. Fala de nosso corpo, a cruz viva. Foram os Senhores da Chama, de Léo, que deram o germe do Corpo Denso, quando iniciamos nossa evolução no Período de Saturno.

06) Segue-se a leitura do Ritual, que é o Ritual do Serviço. Serviço é a palavra-chave de Virgo.

07) O tempo dedicado à meditação, é o tempo da busca do equilíbrio interno entre a mente e o coração, de modo a proporcionar um serviço eficaz. É a marca de Libra.

08) A Canção da Rosa Branca nos remete à pureza do coração do Auxiliar Invisível, que todo aspirante almeja atingir por meio de um pertinaz trabalho de regeneração, que é a marca de Escorpião.

09) Cantar o “Pater Noster”, a seguir, nos leva a buscar os Céus, nas asas da aspiração tão característica do signo de Sagitário.

10) O recobrimento do Emblema é a preparação para a volta ao mundo material, onde o auto-governo é essencial para uma proficiente aplicação dos

Ensinamentos Rosacruzes. O auto-governo e o auto controle são lições que o signo de Capricórnio nos ensina. Por outro lado, Capricórnio é o signo oposto de Câncer. Logo, o recobrimento do Emblema, operação oposta ao seu descobrimento, remete-nos ao signo de Capricórnio.

11) O Hino de Encerramento nos lembra nosso próximo reencontro, repetidas vezes. É uma despedida feita sob a égide da amizade, a grande marca de Aquário.

12) As palavras de despedida, são uma referência ao trabalho dos Auxiliares Invisíveis, expoentes da Raça Humana, a Hierarquia de Peixes.

domingo, 27 de maio de 2018

Astrologia e Ensino (parte I)

por Elman Bacher (*)

Júpiter, regente abstrato da nona casa é símbolo astrológico do mestre. Como o desenho facilita a compreensão de assuntos abstratos como este, sugerimos que o leitor faça quatro desenhos, para melhor fixação deste tema e principalmente se quiser expô-lo aos demais.

O primeiro desenho será um círculo com casas numeradas. Coloque o símbolo de sagitário na nona casa. A observação deste desenho nos leva a considerar, como ponto de partida, no hemisfério superior do horóscopo a expressão da consciência anímica, do esquema da vida, a nona casa, que é a expressão transcendente de sua polaridade inferior: a terceira casa.

Falar da nona casa, apenas, sem nos enraizarmos no exame da terceira, cujo regente é Mercúrio, que rege também o signo terceiro, Gêmini, seria “permanecermos no ar”. Adicionemos, portanto, em nosso desenho, o signo de Gêmini na terceira cúspide e coloquemos o símbolo de Mercúrio na terceira casa. Com este acréscimo assinalamos no hemisfério inferior um ponto que enfoca e aponta o oposto e correspondente, no hemisfério superior. Este desenho simboliza um “caminho da evolução, significando um aspecto da “consciência de separatividade” (3ª casa) que ascende para a paz da consciência anímica ou impessoal” (9ª casa).

A primeira casa, como temos dito em artigos anteriores é o “EU SOU”, representa conhecimento consciente da individualização, do SER. A segunda casa tem sua expressão identificadora na frase “EU TENHO”; é uma identificação emocional com a vida, por meio da consciência de conexão de POSSE. A terceira casa é a “ciência da vida”, pelo exercício da faculdade intelectual fria, nada emocional. Marte é o regente da primiera casa e Venus o da segunda. São expressões emocionais. Mercúrio, abstrato regente da terceira casa é, mesmo nos níveis da primitividade, a primeira expressão de percepção consciente do impessoal e do não emocional. Mercúrio representa nossa capacidade de “identificação racional”, não “emocional”. Por sua atividade damos nomes às coisas, tanto concretas como abstratas,. Mercúrio nos capacita, igualmente, na identificação das coisas, em termos de mensuração, qualidade e função. Por ele nos identificamos com a Vida, com suas coisas concretas, formas de utilização e de comunicação.

Deste ponto de vista, Mercúrio (regente da Terceira Casa do primeiro quadrante ou quadrante da absorção do círculo) é o símbolo do ato completo da aprendizagem. Mercúrio é, ainda, a faculdade transmitir fatos de uma mentalidade para outra, no recebimento de instrução ou de informações. É a linguagem expressa, pela voz, pelo gesto, pela visualização, pelos símbolos e pela escrita. É o relacionamento universal de todos entre si, dentro das atividades mentais diversas. É o símbolo de todos os estudantes e, como tal, esotericamente, a essência do todo relacionamento fraternal (por isso é Gêmini representado por dois seres humanos - gêmeos identificados). Não estamos levando em consideração afinidades exteriores, paralelos com cada um, fraternalmente, porque todos nós somos aprendizes nas experiências da vida.

Outras ponderações acerca deste desenho nos evidenciarão que todo ensino tem suas raízes no aprendizado. Maior facilidade, neste campo, depende de mantermos alerta o interesse e a faculdade de aprender.

As correntes em polaridade (na consciência), entre o hemisfério inferior e o superior, devem ser mantidas em estímulo, para o florescimento das capacidades da metade superior; Não é possível a nossa separação de qualquer parte do horóscopo; mesmo que possamos despender vinte horas de cada dia na profissão de ensinar, jamais deveremos negligenciar o aprendizado e deixar que se depauperem as faculdades mercurianas de aquisição de novos conhecimentos.

O ato de aprender é uma ignição de ciência dos fatos e de identificações. Pode ser considerado como uma inalação. Aquele que real e fortemente seja impulsionado a servir, pelo ensino, manterá viva a terceira casa. Em outras palavras, não haverá negligência de nenhuma oportunidade para aprender sempre, para atualizar-se, para superar-se continuamente. Esse processo de “absorção”, de aprimoramento, é indispensável para prevenir eventual obstrução, cristalização da habilidade de ensinar. Neste ponto nos deparamos com uma lição de sinceridade e de humildade: “Mestre é o que está sempre aprendendo”.

Se Mercúrio é símbolo de absorção mental, Júpiter – vital, radiante, dinâmico – é a abstração da “exalação”, é a transmissão do conhecimento intelectual amplificada e enriquecida pela maturidade da enriquecida pela maturidade da compreensão espiritual e dos aspectos mais profundos do conhecimento. Nessa conexão devemos adicionar outro fator ao nosso desenho inicial: o signo de Virgo na cúspide da sexta casa para completar os dois braços da cruz que, no hemisfério inferior estão regidos por Mercúrio.

Aqui o símbolo do irmão estudante é expresso numa forma prolongada, para apresentar a “fraternidade dos trabalhadores”. O Trabalho espiritualmente considerado mais como labor físico é o serviço que cada um pode prestar como contribuição o melhoramento da vida de seus semelhantes.

Virgo, como signo de Terra, exprime dependência prática: “eu trabalho para sustentar minha vida física e daqueles a quem amo”.

Essa atitude em relação à tarefa de ensinar (eu aprendo alguma coisa útil para poder ganhar dinheiro) é representada pela quadratura entre Gêmini e Virgo, que ameaça o desenvolvimento da capacidade do mestre, por que o mantem identificado com a consciência utilitária, que o levam à prática que produzem sempre atritos. A redenção desse esquema de quadratura deve ser realizada para que se possa atingir vivências superiores. Isto é revelada pela posição da sexta casa, a última do hemisfério inferior, a transição, a modulação para o hemisfério superior. A sexta casa sucede à quinta., que é a casa do Poder-Amor. Quando a consciência de trabalho por dinheiro é transmutada em criatividade por amor, e expressa SERVIÇO em prol do melhoramento da vida de todos, obtemos a redenção da sexta casa. É quando Maria, o lado feminino dentro de nós, inclina-se ante o EU Superior e diz: “Eis tua Serva, faça-se em mim segundo a Vontade do Pai, para redenção da raça humana”.

Por meio de experiências de Serviço-Amor, ganhamos compreensão de nosso objetivo como educadores, acrescentando vida aos livros, que por si só como principais instrumentos de instrução, são como conchas vazias. O verdadeiro Mestre é o que irradia essa compreensão, o que comunica nas palavras o ALGO que torna claro um ensinamento.

Agora completemos nosso desenho, adicionando o símbolo de Pisces na cúspide da décima segunda casa e em seu centro o símbolo de Netuno. Formamos, assim, a cruz dos signos comuns.

Através do primeiro braço (Gêmini) temos Mercúrio, simbolizando aquele que ensina (o professor). Sua exalação ou oposto é Júpiter, como abstração da nona casa. Mercúrio também está presente em Virgo, simbolizando aí a aplicação da experiência-serviço. A exalação da sexta casa é Netuno (e também Júpiter, outra vez, como regentes da décima segunda casa (reflexo imediato da sexta casa, forma de Consequência das causas geradas no serviço).

Considerando mais concretamente o assunto, apontemos alguns dos problemas que, cedo ou tarde, aparecem aos que sentem impulso de ensinar. Se ensinar é exprimir sabedoria seu objetivo deve ser o de iluminar. Ora, todo aquele que sente o impulso de iluminar e elevar os demais deve aceitar, de princípio, o desafio dos estados de consciência tenebrosa representados pela cristalização mental, pelo formalismo rígido de opiniões e atitudes, pelos preconceitos, pela estagnação mental, pelo tradicionalismo, e outros aspectos do hemisfério inferior, que, dentro de sí, como vozes do passado e influência do ambiente, podem formar a base perigosa da indiferença para com as necessidades impessoais ou espirituais dos estudantes. Tais provas constituem um aspecto de experiência pela qual o mestre deve passar, a fim de consolidar sua coragem, integridade e amor.

O impulso para desempenhar um serviço impessoal é sempre, mais tarde ou mais cedo, reptado por fatores econômicos. Encontrar o equilíbrio entre servir desinteressadamente e ter os recursos suficientes para viver, é uma prova das mais significativas na evolução de todo aquele que espiritualmente aspira atingir um nível mais elevado de serviço. (Continuará)
(*) Sobre Elman Bacher (aqui)
traduzido de Estudos de Astrologia, Elman Bacher pela Fraternidade Rosacruz 
Sede Central do Brasil e publicado na revista Serviço Rosacruz, janeiro, 1978

sábado, 31 de março de 2018

OS SIGNOS ASTROLÓGICOS DO ELEMENTO ÁGUA E O MINISTÉRIO DE CRISTO

por Eduardo Aroso 
Créditos da imagem no final do texto

 (Modesta mas grata homenagem ao nosso irmão António de Macedo, do Centro Rosacruz de Minde (Portugal), que recentemente passou aos planos invisíveis; pela memória da sua presença e pelo legado que nos deixou)            Eduardo Aroso

Muito embora já se tenha relacionado Morte e Ressurreição com o signo aquoso de Escorpião, nomeadamente no que se refere ao Gólgota, existe porventura uma ligação estreita dos 3 signos do Elemento Água com o percurso de Cristo durante os simbólicos cerca de 3 anos do seu percurso mais importante na Terra, tempo esse do qual os evangelhos se ocupam, com excepção do seu nascimento e da apresentação no templo. Desde essa altura até aos 30 anos pouco se sabe de Jesus. As escolas esotéricas dão uma vaga informação de que, segundo uns, Jesus terá permanecido na Índia, enquanto outros dizem que esteve no Egipto. Max Heindel conta-nos que o filho de José e Maria teve acesso a conhecimentos ocultos e foi instruído por seres elevados que o ajudaram a fazer um trabalho de revisão das suas vidas anteriores, tal era o apuro da sua missão.

É bem conhecido o episódio bíblico do Baptismo no rio Jordão, quando o ser Arcangélico Cristo tomou o veículo físico de Jesus, o mais puro e preparado que havia na Terra. O que a seguir se expõe pode contribuir eventualmente para clarificar também um pouco o sentido que, na astrologia, se atribui às chamadas “casas místicas» do horóscopo: a 4ª, a 8ª e a 12ª, ou seja, as casas do elemento água, regidas respectivamente por Caranguejo, Escorpião e Peixes. Para além do já referido baptismo, outro episódio se pode referir sob Caranguejo, que é a Última Ceia. Caranguejo rege as águas e especificamente as dos rios (as dos oceanos estão sob a influência de Peixes). Convém lembrar que signos (e planetas) exercem a sua influência em vários níveis simultâneos (tal como a Vida se influencia em simultâneo nos vários mundos). Assim, Caranguejo tanto abarca a comida, os glutões, o metabolismo, as emoções e também o lugar silencioso e místico da alma, conforme nos diz Corine Heline sobre o discípulo Nataniel em afinidade com o citado signo: «Constitui o exemplo mais acabado do místico límpido, isento de ardis, e incapaz de astuciosos enganos». Por isso, a Última Ceia, o mais fraterno e divino ágape com seres humanos (apóstolos) e não humanos (Cristo é da Onda de Vida Arcangélica) situa-se, em simultâneo, no plano puramente biológico – sendo que até o alimento estava isento de álcool e carne – ao mesmo tempo que congregava um elevado “metabolismo” espiritual. Assim, seja pelo Baptismo, seja pela Última Ceia, ou por ambos, o signo cardinal de Caranguejo, à imagem de qualquer um dos 4 signos cardinais que dão começo às estações do ano, inicia o caminho para a culminância no Calvário.

Encontramos o sentido de Escorpião que começa logo na própria Ceia com a “traição” aparente de Judas. O sentido oculto de Escorpião não é fácil de descortinar, como não foi a própria “traição” do apóstolo, que, na verdade, não o foi, conforme bem explicita o rosacruciano Edmundo Teixeira no seu «curso de cristianismo esotérico». Transmutação, perdão, aceitação / desapego (perda consciente de algo dando as boas-vindas ao que chega, desconhecido e por vezes até temido) são, entre outras, palavras-chave de Escorpião e do seu co-regente Plutão. Há o todo em nós que é maior que a parte (a personalidade em cada renascimento). «Que seja feita a Tua vontade e não a minha». O perdão vemo-lo de um modo superlativo e completamente abnegado nas palavras de Cristo: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem». Mas, como não podia deixar de ser, há o lado da vitória da energia mais sublime e elevada de Escorpião, quando Cristo exclama na cruz: «Pai, porque me glorificaste?!». Max Heindel, como só um clarividente  voluntário (iniciado) o pode fazer, trouxe uma verdadeira luz a este episódio que, segundo o Mensageiro dos Irmãos Maiores da Rosacruz, resultou de uma tradução errada do aramaico, devido a uma letra ou sílaba, e que veio a dar a infeliz expressão «Pai, porque me abandonaste?!» e que tem martirizado tanto cristão devoto, uma atitude passiva, sempre com o beneplácito da igreja Romana. Como poderia o Amado do Pai ser abandonado em tão difícil missão?

Dado que os acontecimentos espirituais se podem sobrepor no tempo – há
quem fale no mundo de hoje em fenómenos sincrónicos   como é o caso  da cerimónia do Lava-Pés, antecedendo a Crucificação, existem cenas e sentidos nesta que são também da esfera de Peixes, completando-se assim esta trilogia. Este signo, no simbolismo do horóscopo, rege a 12ª casa, a última do Zodíaco. Uma das várias palavras-chave e sentidos que podemos encontrar em Peixes é o da necessidade de completar algo, fechar o ciclo, dado que só assim se passará ao Ascendente e 1ª casa (novo amanhecer). O Mestre disse: «Aquele que for lavado, precisará apenas de lavar os pés para ser inteiramente puro». Eis a razão do sacrifício pisceano. É interessante observar que o sacrifício em Peixes não é o sacrifício da lei de Saturno; é mais elevado: generoso, sem limites (Júpiter) e tudo abarcando (Neptuno), por vezes não meditamos bem que a regência da 12ª casa está a cargo não só do universal e espiritual Neptuno, como também de Júpiter. A Igreja tem o que chama oblação que define muito bem esta entrega sacrificial. A expressão pisceana que porventura define o fim do ministério de Cristo no plano físico é quando exclama: «Tudo do está consumado». A filosofia rosacruz ensina que, apesar desta afirmação, Cristo, embora liberto deste Calvário terrestre tem ainda a seu cargo o nosso planeta, ou seja, liberto de um sacrifício supremo, conotado com a 12ª casa, entrou num novo amanhecer ou Ascendente que, oxalá não seja tão penoso para o nosso Salvador, como o foi há 2.000 anos.

Eduardo  Aroso
Páscoa de 2018
Notas:
(1) Antonio de Macedo - biografia e artigos
(1) Eduardo Aroso : biografia e artigos
Créditos da Image: Batismo de Jesus por William Blake; Santa Ceia, autor desconhecido; O Lava-pés por Ford Maddox;; A Crucificação por Giotto.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Sobre a Utilização do GPS Aquariano

por Jonas Taucci
Todo final do mês de janeiro e início de fevereiro, quando do trânsito do Sol pelo signo de Aquário, lembro-me de um acontecimento ocorrido. Este ano não está sendo diferente...

Era uma comemoração natalina realizada pelo Centro Rosacruz de Santo André, no final dos anos 70.

Após os ofícios realizados no templo, todos dirigiram-se à sala de visitas para a confraternização. Na pauta, quitutes vegetarianos, suco natural de uva, bolo de natal e agradáveis conversas. Havia uma (numerosa) comitiva do Centro de São Paulo, com a presença do irmão José Augusto Pinto Coelho.

Raro algum irmão ter ouvido rituais que o Sr. Coelho oficio, ou mesmo palestras suas; as décadas que trabalhou junto à Fraternidade Rosacruz de São Paulo, foram silenciosas.

Cuidava da (enorme) parte administrativa, revisão e publicação de livros, folhetos e impressos; as reformas a que passou este Centro - durante longos anos - estiveram sob sua sempre fiel orientação e acompanhamento. A revista Serviço Rosacruz - mensal, impressa e enviada via Correio - também contou com seu labor.

Arcou – pessoalmente - com grandes despesas financeiras em prol da Fraternidade (São Paulo e da casa da cidade de Campos do Jordão).

Literalmente, “construiu um templo sem ruídos de martelos” ...
Uma foto histórica da década de 60. Irmãos co-fundadores e mantenedores da Fraternidade Rosacruz - Sede Central do Brasil em frente à Casa de Campos de Jordão, atualmente chamada Casa do Estudante Rosacruz. No destaque à esquerda o referido irmão José Augusto Pinto Coelho.
Saiba mais sobre a Casa do Estudante Rosacruz em Campos de Jordão aqui
Presenciei um diálogo que jamais esqueci entre este saudoso irmão e uma jovem que acabara de terminar o Curso Preliminar de Filosofia Rosacruz, e inscrevera-se (rapidamente) no de Astrologia.

Vou tentar reproduzi-lo.

- A JOVEM:
_Nasci na maternidade “X”, numa avenida longa, da cidade “Y”. Enviei uma carta ao IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), solicitando as coordenadas exatas (latitude e longitude), com graus, minutos e se possível os segundos, desta maternidade. Sua localização precisa. Consultei também minha mãe e meu Registro de Nascimento sobre o horário exato de meu parto. Vou levantar meu Tema Natal (horóscopo) com perfeição.

- JOSÉ AUGUSTO PINTO COELHO, (olhando-a de uma forma como um pai observa uma filha);
_Que este seu princípio de perfeição, também seja estendido a outras direções. Procure uma lista telefônica com endereços; localize hospitais próximos de onde você mora atualmente.

A jovem ficou com o garfo - espetado com uma fatia do bolo natalino – parado no ar, sem entender. E ouviu:

- JOSÉ AUGUSTO PINTO COELHO;
_Geralmente aos domingos pela tarde, há visitações aos enfermos em hospitais. Leve frutas e adentre quartos, mesmo que você não conheça as pessoas que lá estejam internadas. Diga que você ali está para lhes visitarem, desejar saúde. Dê frutas a elas, quando clinicamente possível. Transmita votos de felicidades e pronto reestabelecimento. Não sinta vergonha de fazer isto; tenha a ousadia amorosa e desinteressada (aquário/urano, rompendo barreiras, saindo do convencionalismo) aos enfermos, pois com certeza;

A) Você estará acumulando tesouros no céu.

B) Paulo em sua Epístola aos Colossenses (03:14) nos fala; “acima de tudo, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição”.

C) (Sorrindo). As Hierarquias Planetárias e Zodiacais, devem estar fartas de boa parte da humanidade apenas estuda-las com perfeição.

Isto foi a aproximadamente 40 anos.

Hoje, as listas telefônicas (físicas) que localizavam hospitais, entre outros, fazem parte de museus e lojas de antiquários...

Abençoado seja o GPS, não?