Plutão relaciona-se com morte (e renascimento), transmutação, redenção, degeneração (e regeneração); seu ingresso em Aquário (de forma a não mais estar retrógado para Capricórnio) ocorreu em 19 de novembro de 2024, o qual ficará até próximo de 2044 e o aqui exposto reflete a opinião deste colaborador sobre os conceitos espirituais sobre este trânsito de 20 anos de duração, alicerçado nos Ensinamentos Rosacruzes e também de fatos constantes na história recente da humanidade.
No início dos anos 60, vários astrólogos pelo mundo (principalmente de algumas correntes esotéricas) apregoaram uma doriforia (termo que significa um aglomerado de planetas num mesmo signo zodiacal) em Aquário: os planetas visíveis - Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Jupiter e Saturno - iriam caminhar por este signo no começo de fevereiro de 1962, sendo que Urano regente de Aquário, estaria no signo oposto: Léo, e disto resultaria, nos anos subsequentes, de avanços científicos, o conceito de guerra seria revisto, a paz iria estar presente em quase toda totalidade da Terra, estruturas arcaicas derribadas e novos conceitos seriam erigidos, resultando numa convivência pacífica entre os povos. Houve quem afirmasse estar a Idade Aquariana sendo inaugurada, o que Max Heindel refuta, pois a mesma terá início por volta do ano 2600, sendo o Movimento de Precessão dos Equinócios o fator determinante para este cálculo e não uma doriforia.
Estes eram os dizeres em vários seguimentos astrológicos à época, e a história registra – resumidamente – após isto: o homem conquistando o elemento ar (Aquário) chegando até a Lua (Projeto Apollo), houve o primeiro transplante do coração (órgão regido por Léo, signo oposto a Aquário), medicamentos mais eficazes, aparelhos descobertos que auxiliaram muito o diagnóstico de enfermidades, a comunicação foi acelerada pelos satélites (o canadense, filosofo, educador e estudioso dos veículos da comunicação em massa, Marshall McLuhan cunhou uma famosa frase sobre isto; “viveremos numa aldeia global”) e antecipou que haveria computadores nas casas (atualmente, 2025, temos nos bolsos). Música, teatro, cinema, pintura, literatura e as mais variadas ramificações das artes, passaram neste período por um vendaval de mudanças: a contestação ao velho (Saturno, corregente de Aquário) e o culto ao novo (Urano) estava na ordem do dia.
Entrementes, a humanidade presenciou a guerra do Vietnã, o assassinato de um presidente americano (Kennedy) e do pacifista Martin Luther King, revoluções (das mais diferentes correntes ideológicas), fome e desnutrição em vários países, desigualdades sociais marcantes e convulsões políticas de grande porte em muitos pontos do globo também estiveram presentes. Foi o ápice da “guerra fria”, dos hippies com seus comportamentos rebeldes, da (anticoncepcional) “pílula”, do sexo livre e a proliferação de drogas alucinógenas (desta vez, sintetizadas) que destruíram pessoas e famílias. A postura excentricidade (palavra aquariana) era largamente vivenciada. O conceito de liberdade dizia que “É proibido proibir” e a prática de certas meditações/espiritualidades (várias sem base nenhuma, regadas a álcool, sexo e drogas) foram amplamente disseminadas. A Guerra dos Seis dias (junho de 1967) no Oriente, ainda hoje está longe de uma solução e o maio de 1968 em Paris foi um rastilho de convulsões que alastrou-se pelo mundo e dispensa comentários.
Um probacionista, já falecido (suas cinzas foram espargidas nos jardins do Centro Rosacruz de São Paulo), certa vez me disse uma metáfora: “Max Heindel coloca Aquário como um planeta elétrico. Os anos 60 foram os sete planetas visíveis em Aquário transvestidos de poderosos e importantes fios elétricos. Uma parte da humanidade acionou o ligar resultando assimilação nas lições, outra não acionou absolutamente nada, nada aprendendo e ainda uma outra parte causou um curto-circuito (pane)”.
Hoje, mais de meio século após o final daquela década, ela serve de estudos sociológicos, tais as enormes mudanças ocorridas nos mais diferentes seguimentos.
Vale ressaltar que em fevereiro de 2021, houve uma outra doriforia em Aquário (Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Júpiter e Saturno), mas desta vez os comentários foram mais comedidos por muitos astrólogos, o que nos faz lembrar de uma frase atribuída ao escritor e dramaturgo irlandês George Bernard Shaw (1856-1950): “Errar é humano, entretanto se a borracha terminar antes que o lápis, certamente estamos ultrapassando os limites”.
No início dos anos 80, igualmente houve um acontecimento astrológico que ocupou muito espaço para comentários: o ingresso de Plutão em seu próprio lar: o signo astrológico de Escorpião em 1983, o qual ficaria até 1995.
Dizia-se que seriam anos de lições importantes para a humanidade (quando não o foi?); o comportamento sexual seria revisto e sublimado, uma justa distribuição de renda ao redor do mundo estaria na ordem do dia e houve diversas previsões de que Wall Street (Rua do Muro, importante centro financeiro do mundo, localizado nos EUA) seria revista e substituída por uma nova ótica sobre o dinheiro, já que muro pressupõe delimitações, divisões e demarcação de áreas.
Realmente, vários acontecimentos mundiais ocorrido nestes anos estiveram sob esta chancela astrológica que, entre outros fatores, relacionam-se ao sexo, morte, renascimento e posses financeiras (atributos da 8ª Casa Zodiacal, Plutão e Escorpião), não nos esquecendo de sua Casa oposta: 2ª Casa Zodiacal, Vênus e Touro, que entre outros atributos relaciona-se com posses materiais.
A AIDS (SIDA) ceifou muitas vidas, pautando um novo comportamento sexual, (não totalmente seguido) e ainda que infelizmente não se obtenha medicamentos para a sua cura até os dias de hoje, avanços na medicina brecaram óbitos.
Também interessante esta época ser a do chamado novo movimento gótico no mundo, onde jovens, vestidos de preto (as moças utilizavam batom vermelho em profusão nos lábios) reuniam-se á noite em cemitérios (Plutão-Escorpião) para declararem obras dos escritores francês Charles Baudelaire (1821-1867), irlandês Oscar Wilde (1854-1900), portuguesa Florbela Espanca (1894-1930) e do brasileiro de Augusto dos Anjos (1884-1914); todos com nuances Plutão-Escorpião em várias de suas criações literárias. Até mesmo novelas de televisão abordaram este novo gótico.
No âmbito financeiro (não nos esqueçamos que a palavra plutocrata, deriva de Plutão) permeou-se o status dos Yuppies; jovens ambiciosos, de cargos elevados que ostentavam roupas, carros, casas e utensílios de grife (Hollywood realizou vários filmes sobre este tema). Foi o tempo (e para alguns, templo) do glamour de Wall Street, que existe – na mesma essência – até a atualidade. O muro atingido e derrubado foi completamente outro; o de Berlim (novembro de 1989) que separava as Alemanhas (oriental e ocidental).
O referido ingresso de Plutão em Aquário aufere opiniões alicerçadas nos conceitos de tempo de mudanças, entretanto não nos esqueçamos do oposto; epigeneticamente criarmos mudanças em nosso tempo para nos dedicarmos aos nossos semelhantes.
Não minimizando as lições que certamente ocorrerão neste período – elas estarão distantes de ser um divisor de águas na história da humanidade; este sem dúvida, foi a vinda de Cristo à Terra, e se não praticarmos o ALTRUÍSMO, atributo aquariano/uraniano, trazido a nós pelo Maior Iniciado do Período Solar, nenhuma lição advinda de quaisquer configurações astrológicas nos fará evoluir espiritualmente.
Lições são apresentadas; cabe à humanidade as trabalharem, elas não nos são impostas: o convite está sendo feito e cabe a cada um aceitá-lo e vivenciá-lo (ou não).
Nossa localização – evolutivamente – nos coloca na metade do Período Terrestre, e segundo Max Heindel, mesmo no (longínquo) “Período de Júpiter haverá os bons e maus, mas as duas qualidades não se encontrarão mescladas, na mesma pessoa”. (Conceito Rosacruz do Cosmos – Capítulo XVI – Desenvolvimento Futuro e Iniciação).
Evidentemente, Plutão em Aquário trará significativas lições (nunca houve etapas em que a humanidade não passou por importantes aprendizados alicerçados em eventos astrológicos) contudo, assim como em escolas existem alunos que não se focam em suas respectivas lições, analogamente as LIÇÕES DE PLUTÃO EM AQUÁRIO não serão assimiladas por todos; haverá os atrasados assim como houve no passado, em distintas estágios da evolução. Devemos estar cientes que estas lições - sejam quais forem - deverão ser utilizadas para o bem comum. Astrólogos dizem de avanços espetaculares na comunicação, ciência e tecnologia para os próximos anos (cientistas e pesquisadores que desacreditam na astrologia também possuem esta mesma forma de pensar) e um bom desafio – entre outros - para as próximas décadas talvez seja a de que porcentagem da humanidade terá acesso a estes avanços; os envolvidos terão uma excelente oportunidade para exercerem o universalismo (outro atributo aquariano/uraniano).
“Unidos trabalhemos, ao sol ou tempestade, sejamos construtores de toda a humanidade” (trecho da letra do Hino ao Signo Astrológico de Aquário “O Amor Universal”, constante no Hinário do Centro Rosacruz de São Paulo).
Nestas lições, se não nos pautarmos de nosso labor em irrigarmos com águas cristalinas os desertos de pessoas sofredoras, se não oferecermos “rosas perfumadas” a quem passa por situações penosas e se não nos preocuparmos com os desassistidos, perderemos e deixaremos passar as (apenas) ditas e escritas “Lições de Plutão em Aquário”, estas - por si só – não nos acrescentará um centímetro de espiritualidade a menos que nos alinhavemos com elas: trata-se de um trabalho individual, cada um dentro de sua esfera de ação.
Elman Bacher abre sua obra (Estudos de Astrologia) com os dizeres “A astrologia é para o estudante Rosacruz uma fase da religião” e desta forma ela deve ser vivenciada: límpida, gratuita, esperançosa, confortante e de mãos sempre prontas para o auxílio abnegado.
Plutão em Aquário está realizando a “chamada presencial”, na sala de aula da Escola Terra e cabe a cada um de nós, respondermos “presente” (com atos, comportamentos e ações) ou faltarmos à aula (omissão): o médico, pedreiro, engenheiro, pintor, balconista, músico, estivador, florista, acadêmicos, iletrados, etc. Principalmente os estudantes de astrologia, sabedores disto.
Citando uma frase (essencialmente aquariana/universalista) atribuída ao filósofo Sêneca que viveu nas primeiras décadas do cristianismo, “Somos ondas do mesmo mar, folhas da mesma árvore e flores do mesmo jardim”.
Vale lembrar Max Heindel, no Conceito Rosacruz do Cosmos:
- “...diz-se que do número total de espíritos Virginais que começaram a evolução no Período de Saturno, somente três quintas partes ultrapassarão o ponto crítico da próxima Revolução, indo até o fim”. (capítulo IX – Atrasados e Recém-Chegados). A maravilhosa e profunda Lição Mensal do Estudante da The Rosicrucian Fellowship de Maio - ano 1978 – intitulada “Evolução dos Espíritos Virginais” retrata isto e será abordada em futuros artigos neste blogue.
O autor da obra “A Escala Musical e o Esquema de Evolução” informa que do leito do Oceano Pacífico emergirá um grande continente e, para o equilíbrio gravitacional do planeta, uma certa quantidade de terra descerá para o oceano levando consigo os habitantes que se envolveram na materialidade (capítulo IV – Correlação da Música com o Deus Solar).
A Idade Aquariana começará por volta do ano 2600: este não será o último trânsito de Plutão por Aquário antes desta Idade iniciar-se. A evolução ocorre (para a grande maioria da humanidade) em espirais conforme informa o Conceito Rosacruz do Cosmos – Diagrama 15 e os mesmos trânsitos, ainda que aconteçam aparentemente iguais, trazem novas lições que, reiterando, não nos são impostas, mas que depende do esforço valoroso de cada um para assimilá-los.
Não nos esqueçamos do axioma hermético “Como acima é abaixo”; cada um de nós – individualmente – terá a passagem de Plutão por Aquário em uma (ou mais) Casa Zodiacal de nosso Tema Natal, dependendo em que grau esteja a cúspide deste signo em nosso horóscopo. As Lições de Plutão em Aquário está sendo ofertada a toda humanidade, porém - assim como a água toma o formato de seu recipiente – estas lições são INDIVIDUAIS. Consultar nosso Tema Natal, estarmos conscientes de que avanços espirituais devem partir de nosso interior e principalmente “arregaçarmos nossas mangas” e trabalharmos, sabedores que amizade e altruísmo (palavras aquarianas/uranianas) devem permear nossos pensamentos, palavras e ações. Conhecimentos astrológicos apenas não nos fornecem avanços espirituais em quaisquer trânsitos astrológicos, mas sim mudanças de comportamento, diretamente ligada ao nosso Corpo Vital.
O probacionista José Linhares (falecido em 02 de dezembro de 2006) ministrou aulas de astrologia no Centro Rosacruz de São Paulo aos sábados, por décadas. Quando do ingresso de Plutão em Escorpião - e sua repercussão - no início dos anos 80, disse algo que nunca esqueci:
- “Que maravilhoso avanço espiritual as pessoas que estudam astrologia teriam, caso mirassem seu interior a mesma intensidade que focam planetas e signos nos céus (exterior)...”