10/03/2019

ASTROLOGIA E PODER

extraído de PODER ESPIRITUAL VERSUS PODER TEMPORAL por Eduardo Aroso. 
Baixe aqui o PDF  da obra completa

Parece ser interessante olharmos também o assunto na vertente astrológica. A irradiação do poder de um centro para a periferia, de um ser para benefício de outros (pois exercer o poder é sempre a oportunidade para expansão de consciência de quem o exerce) está nos signos opostos (melhor será dizer complementares) Leão e Aquário. O primeiro, atribuído tradicionalmente à realeza, significa o poder concentrado, daí o egoísmo ou o despotismo que pode provocar quando se responde negativa e maioritariamente à natureza leonina. O signo complementar, Aquário, significa a partilha do poder com outros e para outros, característico das democracias, um repto ao altruísmo de Urano e à seriedade de Saturno regentes deste signo. 

Mas a situação uraniana e aquariana de poder pode ser difusa, excêntrica e mesmo caótica (Urano seu regente, no pior), perdida a consciência central solar, daí Aquário ser regido também por Saturno, o estruturador com realismo. Quando o lado pior de Aquário surge, requer-se uma âncora e voltamos a Leão, à consciência de que há um centro, seja apenas (e já bastante) o empenho do governante para com o povo, seja por aquele que governa já com a consciência espiritual ancorada num centro mais amplo, solar, ou divino. Pode ser um mestre, um avatar. Esta oscilação do sentido de poder verificou-se com nitidez há pouco mais de dois séculos quando se passou bruscamente do «L’ État c’est moi» (Luis XIV) a «Liberté, Égalité, Fraternité», ou seja, simbolicamente, de Leão para Aquário, ou melhor, do lado negativo do Sol (autocrático) para a liberdade de Urano, mas também para as excentricidades e libertinagens, tudo consequências do trânsito humano. Não foi por acaso que a descoberta do planeta Urano (1781) coincidiu, sensivelmente, com a Revolução Francesa (1789).

A oscilação e tentação destas duas tendências opostas de exercer o poder (monarquia/democracia) ilustra o significado do aspecto de oposição em astrologia, neste caso de Leão-Aquário. As forças de um e outro lado devem equilibrar-se, devem “beber” do melhor que há em cada lado. É importante meditarmos no seguinte: na próxima Era de Aquário o signo oposto está necessariamente incluído, pois que para que Aquário expresse o seu melhor, terá que ter também o amor irradiante de Leão.

Aproveitando o ensejo, pode-se ainda perguntar como podemos fazer uma leitura da potencialidade do poder de uma pessoa através do seu horóscopo. O assunto não é fácil, sobretudo quando se trata de indagar o poder espiritual mais do que qualquer outro. Contudo, há linhas de orientação que podem dar algumas pistas sendo necessário ter em conta como se reage às vibrações planetárias, se respondemos mais ou menos positivamente aos signos e planetas. A experiência astrológica tem demonstrado que um stellium (junção de 3 ou mais planetas) elevados, junto ao Meio-do-Céu, e estando também o ascendente num signo fixo (de preferência Leão) pode conferir capacidades de comando e visibilidade. Também Sagitário e o seu regente Júpiter (símbolos portadores de Luz).

Charles E. O. Carter na sua Enciclopédia de Astrologia Psicológica, refere-se - e em resumo - aos poderes criativos como resultantes do raio solar e da 5ª casa e o signo que está na sua cúspide; quanto aos poderes curativos, diz que os indicadores são de natureza variada, mas normalmente as pessoas têm os ascendentes em signos fixo se Mercúrio em aspecto forte com Urano e Neptuno; quanto aos poderes mágicos (querendo dizer os de clarividência, proféticos e outros) dá as ligações de Marte com Neptuno como frequente e a 6ª e 12ª casas que são as do cerimonial, mas aponta como forte alguma ligação que implique Vénus, Marte, Lua e Plutão. Em suma, podemos dizer que aspectos que envolvam planetas transpessoais (Urano, Neptuno e Plutão) em ligações com outros podem ser indicadores de poderes espirituais latentes ou já manifestos.

Que sentido espiritual faz toda esta ideia de exercer o chamado «estado de excepção»? É evidente que esta situação não usual de exercer o poder coloca logo o livre-arbítrio ou o aspecto mais profundo da vontade. Quem tem que decidir assim, estando temporariamente acima, não obedece a regras jurídicas por deficiência destas, mas apenas à consciência de soberano e ao seu livre-arbítrio. Os mestres espirituais, no nosso caso os Irmãos Maiores da Rosacruz, quanto à sua relação com os discípulos, não parece que exerçam essa peculiar forma de poder, pois conhecem e vivem de acordo com as leis divinas que não são as leis humanas. Eles não obrigam ninguém, agindo apenas como conselheiros e amigos na hora certa. Se o fazem como «estado se excepção» será numa dimensão mais elevada, noutros assuntos que não nos dizem respeito, pois conforme disse Max Heindel, também eles cometem erros no seu labor, todavia muito acima do nosso viver, enganos que não podemos compreender. Em oitavas superiores, num plano ainda mais elevado, como é dito no Serviço Devocional, os Anjos do Destino estão acima de todos os erros que a humanidade possa cometer.

02/01/2019

Sobre as Bodas Nupciais entre Sol e Lua


Assim era a denominação – o casamento entre o sol e a lua - que a probacionista Ana Rondini Tempera(*) referia-se à conjunção – mensal - do Sol com a Lua. E sempre acrescentava:

- Somos convidados, mensalmente, a este casamento; o convite nos chega através dos signos e casas de nosso Tema Natal, onde localiza-se esta conjunção.

Por longos anos tivemos interessantes conversas sobre astrologia – que ela tanto amava – e me dizia sempre ser esta uma das melhores definições destes sagrados ensinamentos:

O HOMEM É ELE E SUAS CIRCUNSTÂNCIAS (José Ortega y Gasset – 1883/1955), filosofo, jornalista e escritor espanhol).
 
Foi uma irmã que nos exortava a vivenciarmos a astrologia - e não apenas a conhece-la - na forma de transmutarmos nossas (determinadas) conjunções, quadraturas e oposições em (outras determinadas) conjunções), sextis e trígonos;

- Nossos pensamentos, palavras e ações, constituem-se na única forma de trabalharmos nesta obra alquímica.

Para dimensionar a importância deste evento astrológico, a conjunção entre Sol e Lua, Max Heindel (Iniciação Antiga e Moderna – capítulo VI – a Lua Nova e a Iniciação), nos fala que, na noite mais longa e escura do mês (a noite da Lua Nova) dá-se o nascimento do Auxiliar Invisível.

Também por anos o Departamento Esotérico da The Rosicrucian Fellowship, nos orientou a acompanharmos este evento astrológico. Evidente que o horóscopo não deve possuir uma conclusiva apenas por um aspecto, mas esta conjunção mensal entre Sol e Lua (a casa onde ocorre e os aspectos com planetas radicais), devem ser (também) levados em consideração, por possuir a característica da individuação: a conjunção Sol/Lua é a mesma, mas irá localizar-se em casas diferentes entre as pessoas, assim como os possíveis aspectos que realizam com os planetas radicais, ascendente e meio do céu.

ABAIXO, AS CONJUNÇÕES ENTRE SOL E LUA PARA O ANO DE 2019


Consulte seu Tema Natal (horóscopo) mensalmente; veja em que Casa ocorrem estas lunações - há uma tendência desta Casa Zodiacal e a tudo o que ela se relaciona, ser ativada até a próxima lunação. Observe também se esta lunação faz aspectos (conjunções, sêxtis, quadraturas, trígonos ou oposições) com algum planeta radical, Meio Céu, Cabeça / Cauda do Dragão, Roda da Fortuna ou Ascendente. Existem APPs (aplicativos) que fornecem estes dados conforme o horoscopo individual da pessoa.

INFORMAÇÕES IMPORTANTES:
1. Considerou-se o Horário de Brasília e desconsiderou-se o Horário Brasileiro de Verão.
2. As datas acima não estão relacionadas com as fornecidas anualmente pela nossa Sede Mundial (Oceanside), para o oficiamento do Ritual Rosacruz de Lua Nova para probacionistas ativos, devido aos diversos fusos horários existentes no mundo.
3. Cabe aqui uma profunda meditação (e vivência) sobre os dizeres "O amor na prática astrológica”.

(*) Ana Rondini Tempera e seu esposo - Armando Tempera - vieram da Itália para o Brasil na década de 50, fixando-se na cidade paulista de São Caetano do Sul, onde alcançaram o grau de probacionistas. Em 1.955, participaram da fundação dos Centros Rosacruzes de Santo André (maio) e de São Paulo (setembro).

Jamais perderam o sotaque das terras de Dante Aliguieri... jamais deixaram de colaborar com a Fraternidade Rosacruz.

Contribuíram – muito – na parte financeira, arcando com várias despesas para a manutenção destes Centros. Ana Rondini Tempera oficiava Rituais Rosacruzes com uma característica vocal impressionante; como se os dizeres do referido Ritual tivessem forma e vida. Sempre enalteceu o trabalho de Max Heindel, como fiel mensageiros dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, na divulgação destes Ensinamentos.

Durante décadas, nas datas de aniversário (23 de julho) e falecimento (06 de janeiro) do Sr. Heindel, esta irmã sempre lhe prestou homenagens, sendo oportuno lembrarmos que neste janeiro de 2.019 acontece o centenário de falecimento do fundador da Fraternidade Rosacruz.

25/11/2018

As Casas Sem Planetas ( uma pergunta - uma resposta)



Perg.: (1) No mapa astral de um sujeito, neste caso é criança ainda, a ausência de elementos na 12- casa poderá querer dizer que não há uma lição “kármica” a ser retirada neste âmbito, ou que não há dividas anteriores no que a isto se refere?. E se assim for,(2) poderá ser porque já teria “saldado estas 'dividas” ou porque ainda não as teria feito simplesmente?.  Outra dúvida que eu tenho, (3) sempre que não há elementos nas casas zodiacais, isso pode ser por estarem essas 'lições' aprendidas, ou pode ser indicação de que ainda não houve tempo (vidas) para 'contrair' dividas que se relacionem com essas mesmas casas?

Resp.(1):Sempre e sempre, repetimos, as Divinas Hierarquias planetárias e zodiacais, estão - através de nosso tema natal - nos enviando suas bênçãos.

A ausência de planetas nas casas (seja a 12 ou qualquer outra) não significa, de modo algum, que não existam ensinamentos a serem assimilados nessas casas. O mesmo valendo para bênçãos a serem colhidas.

Em uma interpretação das casas onde não há planetas devemos observar:

1.   Qual o signo que ocupa a cúspide da casa que queremos analisar (cúspide = primeiros graus de uma casa)

2.   Qual é o planeta que rege o signo encontrado nessa cúspide.

3.   Em seguida: onde é que este planeta se encontra (signo e casa).

4.   Depois considere todos os aspectos que este planeta possui.

Veja o exemplo abaixo que é do livro Mensagem das Estrelas e que coincidentemente possui a casa 12 sem planetas. Aliás, possui várias casas sem planetas. Mas tomemos a própria casa 12 como exemplo:

      Não há planetas na casa 12.

   Na cúspide da casa 12 encontramos o signo de Escorpião (7º grau de Escorpião).Isto já nos diz que o nativo deste horóscopo tem sua casa 12 com a influência da natureza  escorpiana.

    O regente de Escorpião (Marte) está na casa 9 e no signo de Leão. Então todas essas influências também deverão ser consideradas para a casa 12 da pessoa com este horóscopo. E mais ainda os aspectos que Marte porventura estiver fazendo.

NOTA: Como este horóscopo é anterior a descoberta de Plutão (co-regente de Escorpião), Plutão aqui não aparece, se aparecesse também deveria ser analisado e considerado.

A princípio ainda não tendo vivência dos ensinamentos astrológicos, essa análise é um pouco complicada, mas com a prática torna-se algo fantástico.

Resp. (2 e 3): Pelo exposto acima você certamente concluiu que não é assim.

Além disso, não pensemos apenas em dívidas ou “Karma” (que Max Heindel chama de destino maduro). Como estamos em uma ESCOLA estamos constantemente aprendendo.

Há também as bênçãos recebidas por nossos atos de bondade e pelo que fizemos a favor das Leis da Evolução.  E, tudo isto está marcado em um horóscopo. A cada nova lição novos erros e acertos até que nos aperfeiçoemos por fim nos doze departamentos da vida.

Estamos longe da perfeição. Contraímos mais dívidas do que créditos em praticamente todas as casas, nas inúmeras vidas que já tivemos, mas, procuremos sempre examinar um horóscopo focalizando nas oportunidades de aprendizado que nos dão as Divinas Hierarquias Zodiacais. 

Como atualmente é comum as pessoas terem acesso fácil ao seu mapa devido a tantos programas na internet, sugerimos a interpretação do mapa com o acompanhamento do livro Mensagem das Estrelas que possui o devido respaldo espiritual que procuramos. 

Que as Rosas floresçam em vossa cruz

MENSAGEM DAS ESTRELAS – espanhol
MENSAGEM DAS ESTRELAS

19/08/2018

Astrologia e Ensino (parte 2)


por Elman Bacher
Considerando ainda, o desenho em cruz, formado pelos signos comuns, vemos que os aspectos de oposição têm suas raízes no hemisfério inferior com Mercúrio em Gêmini e Mercúrio em Virgo. Um Mercúrio degenerado comprometido pela consciência de níveis inferiores de "praticabilidade", "conveniência pessoal", "fidelidade à letra" e "avaliação superficial" deve elevar-se às "copas", às ramagens dos extremos superiores, a fim de frutificar impessoalmente e desfazer destinos. A "praticabilidade", a "conveniência pessoal", a "fidelidade à letra", e "avaliação superficial" são frases-chave pertencentes àqueles níveis de consciência ainda carentes de impessoalidade.  É o caso de pessoas que na profissão de professor, exprimem Mercúrio irregenerado; que se apoiam no interesse próprio e atendem ao "que melhor paga", "ao cargo que mais prestígio proporciona" ao "que lhe dá mais erudição", ao que o leva "à mais breve aposentadoria", à "maior pensão", aos "ambientes agradáveis" e outras motivações semelhantes, acima de quaisquer outras de sua tarefa de educador. Tais motivações ocorrem a indivíduos que passam ainda por primitivos níveis de consciência educativa, que devem ser regenerados pelos padrões de SERVIÇO-AMOR. Até que este ponto não seja atingido, o verdadeiro professor não pode surgir. Isto se aplica aos expositores de nossa fraternidade.

Astrologicamente, tudo o que foi anteriormente dito neste artigo, pode ser assim expresso: "até que o interesse próprio não tenha transcendido o ciclo inicial Mercúrio-Gêmini não encontra seu cumprimento espiritualizante em Netuno-Piscis, através de Júpiter-Sagitário.

Uma vez que Júpiter, como símbolo do mestre, é encontrado no hemisfério superior do círculo, chegamos à conclusão de que os fatores íntimos, as determinantes altruístas egóicas, são as que, acima dos fatores externos, identificam e motivam o verdadeiro expositor. Os problemas que ele mais focaliza são os da alma. Ele sente veemente desejo de incutir-nos outros, de levá-los a transcender o que podemos designar "qualidades negativas de Júpiter", por exemplo: orgulho intelectual, que leva o professor a fixar-se em níveis egoístas, motivado pelo sentimento de sentir-se superior aos que ensina.

Todo aquele que sinceramente luta para superar essa tendência, encontrará ajuda na compreensão de que jamais poderá ele ser repositório de todo o conhecimento, de todos os aspectos do que particularmente ensina. Ao contrário, ele é como um irmão mais velho daqueles a quem ensina e somente na matéria que ensina. Deve reconhecer que apenas é um motivador, um que procura suscitar o desenvolvimento de seus pupilos, servindo de "ponto modulante", de transição dos níveis de inocência em que estão, para os níveis em que se encontra o expositor. Nunca deve olvidar os tropeços que ele próprio encontrou no caminho desse aprendizado, que é uma parte da experiência que comunica.

Em outras palavras, o professor deve manter, em relação à tarefa de ensinar, uma atitude fluídica, comunicativa, expansiva, dinâmica, amorosa, serviçal, buscando sempre melhorar e ampliar seus conhecimentos, numa constante renovação de experiências e aprimoramento, seu e de seus pupilos. Desse modo ele vive e expressa as palavras-chave de Júpiter regenerado, neutralizantes e preventivas da cristalização que lhe poderia provocar o orgulho.

Outra expressão de Júpiter irregenerado, de vaidade e mesquinhez, é o desejo de reconhecimento e de elogios. Nesse nível, o professor procura continuamente sobressair se entre os colegas para compensar a inveja que deles tenha. Recebe com prazer a adulação dos alunos e este logo se apercebem de seu ponto fraco, perdendo-lhe o respeito natural. Fala sempre de seu trabalho para assegurar-se da boa opinião dos outros. O centro desta falha reside no desejo de fazer figura, de levar muito em conta a opinião dos outros a seu respeito. Ora, tal ponto de vista leva em si mesma a semente de desintegração da faculdade educativa, de vez que, a preocupação de concentrar em si mesmo os méritos do trabalho, entrava, prejudica o fluxo de iluminação, de amor, que deveria ser vertido para fora e para os demais. O propósito da tarefa educativa não deve ser o autoengrandecimento senão a iluminação da consciência dos alunos. O professor que conserva sua integridade como trabalhador consciente e amoroso, é o que pode ser chamado “um mestre hígido e humilde”, porque respeita e ama seu trabalho, cultiva sua habilidade para que sua tarefa cresça em proficiência, é grato a todas as sugestões e acolhe-as de boa vontade, tirando-lhes o proveito que podem dar. Sua atitude para com seus colegas é de sincera apreciação ao trabalho incentivo aos esforços honestos e não o de competição, porque sabe que cada um, segundo sua idiossincrasia, tem seu modo de receber as coisas e uma contribuição original a fazer. Ajuda sempre que pode e está sempre disposto a aprender dos demais. Em outras palavras, ele utiliza a palavra-chave jupteriana: "melhoramento” e mantém, da mesma, a motivação espiritual e regenerada.

O verdadeiro mestre jamais exerce poder sobre seus pupilos nem lhes limita a justa liberdade. Em verdade os alunos são suscetíveis de influência por parte do professor, mas este deve estar alerta para essa grande responsabilidade, de modo que seu exemplo, seu modo de pensar, de agir, seus conceitos todos possam exprimir o melhor que ele tem e que ele desejaria a seus alunos. Se a motivação da atividade do professor é amorosa, ele encontra felicidade no progresso dos alunos. Com alegria acompanha o desabrochar das faculdades deles e seu emergir de um nível inferior a um nível superior de consciência. Seu. Impulso é sempre o de ajudá-los a crescer por dentro e de superar-se, e não o de sujeitá-los, limitá-los meramente a seus próprios conceitos. O resultado que ele pode obter, como mestre, é o de erguer seus pupilos da condição em que se encontram, de modo que possam superá-lo e se tornarem instrumentos de realização de um ainda mais construtivo trabalho futuro, como seus sucessores. Deve despertar-lhes a devoção pelo serviço a humanidade, de modo que pelo convívio cheguem a nutrir essa vivência comum e acender no altar interno os sírios de seus altruísticos propósitos

O símbolo do caminho do mestre, em sua mais sutil forma, espiritualizada, encontra- se no quarto quadrante da cruz de signos comuns: (10ª, 11ª e 12ª casas, Capricórnio, Aquário e Peixes), isto é, o roteiro que vai de Júpiter na nona casa, até Netuno na  décima segunda. Em esfera mais ampla, esse é também, o padrão de experiência do Irmão Maior - o iluminador de Almas, a radiação da Sabedoria, da Filosofia, das Artes; é o universal concentrado num trabalho redentor. Em tal campo de cultivo das faculdades intelectivas, o aluno deve ser compreendido pelo mestre e por este ajudado a transcender seus limites, alargando-os constantemente. O professor deve levar o aluno a identificar-se com seus princípios vitais, com seus valores espirituais e aspirações e não com seus desejos e ambições e o mais eficaz meio de consegui-lo é galvanizar-lhe o interesse por esse lado superior, através do contato com a iluminada inteligência e espiritualizada consciência que lhe revele como mestre ideal.

Mais um desenho: Áries na cúspide da primeira casa, Léo na cúspide da quinta casa Sagitário na cúspide da nona casa. Marte na primeira casa, Sol na quinta casa, Júpiter na nona casa. Temos aí a Trindade dos signos de fogo. Marte diz: "EU SOU" (manifestação do UM). O Sol diz: “EU SOU o poder radiante do amor”. Júpiter diz: "EU SOU a radiação da sabedoria".



Esse desenho triangular figura a consciência dinâmica, Júpiter, na qualidade de Mestre simboliza aqui a paternidade espiritual: o pai a guiar o desenvolvimento e a iluminação do conhecimento evoluinte de suas “crianças”. Em termos humanos, Júpiter é aqui visto representar as responsabilidades espirituais da paternidade, a responsabilidade de todos os pais no provimento espiritual e dos meios físicos daqueles que, por seu intermédio, reencarnaram.

Em níveis impessoais, Júpiter revela uma equivalente paternidade espiritual, de todos os mestres em relação a seus alunos, que, em níveis mentais ou na matéria particular que ensina são ainda como crianças. Os pais podem ser os mestres, mas todo verdadeiro mestre comunica a seus pupilos sua radiação de Poder-Amor, que torna mais completo o cumprimento de seu SERVIÇO-ENSINAMENTO porque funde o coração e a mente numa equilibrada formação.
Traduzido de Estudos de Astrologia, (O Astrólogo debate o Ensino), Elman Bacher pela
Fraternidade Rosacruz Sede Central do Brasil e publicado na revista Serviço Rosacruz, janeiro, 1978

01/07/2018

Sagradas Estruturas Zodiacais: O Ritual Rosacruz de Cura


por Jonas Taucci
Quando um Centro Rosacruz oficia o Ritual de Cura (veja aqui), uma série de fatores são colocados em ação:

A)O cumprimento da exortação de Cristo; pregar o evangelho e curar os enfermos (Mateus 10:07 e 08).

B)As orações dos presentes (importantíssimas na reunião) são direcionadas ao símbolo Rosacruz; serão utilizadas por Cristo e os Auxiliares Invisíveis, para serem canalizadas onde se fizerem necessárias.

C)No símbolo Rosacruz, temos a rosa branca (coração do auxiliar invisível), as rosas vermelhas (seu sangue purificado), a cruz branca (seu corpo) e a estrela dourada (dourado manto nupcial). Tudo isto é ativado em direção aos objetivos do Ritual de Cura.

D)O oficiamento deste ritual – bem como todos os demais rituais – fortalece a egrégora do referido Centro Rosacruz. O contrário também é verdadeiro: o não oficiar rituais enfraquece-a.

E)Estes rituais são realizados quando a Lua transita por um dos signos cardinais: (Áries, Câncer, Libra e Capricórnio), representantes também – respectivamente – dos elementos fogo, água, ar e terra. Estes signos possuem, dentre outras, a natureza curativa, sendo colocada em movimento no momento do ritual.

F)O comparecimento a um Centro Rosacruz e a participação neste Ritual, deve ser entendida como uma prestação de serviço às pessoas enfermas.

O texto abaixo - a relação do Ritual Rosacruz de Cura com as Hierarquias Zodiacais – na íntegra, é de autoria dos estimados irmãos probacionistas da Fraternidade Rosacruz Max Heindel, Centro Autorizado do Rio de Janeiro, que sem dúvidas, fielmente prestam este serviço.

“Senhor meu Deus, a ti clamei por socorro, e tu me curaste”(Salmos 30: 02-03)


As reuniões de serviços na FRATERNIDADE ROSACRUZ MAX HEINDEL – Centro Autorizado do Rio de Janeiro, são organizadas alternando-se a leitura dos textos com as músicas constantes do hinário “Songs of Light”, de modo a criar ambiente o mais adequado a uma reunião marcadamente devocional, em que é importante equilibrar o conhecimento da Filosofia Rosacruz com o mais intenso sentimento que possa brotar do coração.

O roteiro adotado para o oficiamento do Ritual Rosacruz de Cura, tem sido o seguinte:

01) Hino de Abertura
02) Canção do Signo
03) Oração Rosacruz
04) Descobrimento do Símbolo Rosacruz
05) Canção do Emblema
06) Leitura do Ritual de Cura
07) Meditação
08) Canção da Rosa Branca
09) Canção “Pater Noster”
10) Recobrimento do Símbolo Rosacruz
11) Hino de Encerramento
12) Palavras de Despedida

 O roteiro adotado tem, portanto, 12 passos e, embora não tenha sido intencionalmente delineado tomando por base os doze signos do zodíaco, pôde-se constatar a marca dos signos em cada um desses passos, o que possivelmente indica ser esse roteiro fruto de uma inspiração.

01) O Hino de Abertura, por sinalizar o começo da reunião, tem a marca de Áries.

02) A Canção do Signo, embora varie a cada mês solar, tem como característica básica uma mensagem trazida pelo signo, uma palavra que chega a todos, ou seja, uma marca de Tauro, que rege o órgão que profere a palavra.

03) A Oração Rosacruz, lida pelo orador, transmite aos presentes uma oração científica, que chega ao intelecto para prepara-lo a cooperar com o coração. Por ser uma oração, chega à nossa lembrança a imagem das mãos postas, as mãos aquinhoadas com os preciosos dons de benzer e curar. A razão diz respeito a Mercúrio, que rege o signo de Gêmeos e as mãos são regidas por este mesmo signo.

04) O descobrimento do Emblema nos leva ao mundo espiritual. Câncer está ligado à alma, como a reveladora verdade, portanto, o descobrimento do Símbolo não deixa de ser a marca de Câncer, levando-nos do mundo material ao mundo da alma.

05) A Canção do Emblema Rosacruz é cantada em “moderato maestoso”, de como convém ao Signo de Léo. Fala de nosso corpo, a cruz viva. Foram os Senhores da Chama, de Léo, que deram o germe do Corpo Denso, quando iniciamos nossa evolução no Período de Saturno.

06) Segue-se a leitura do Ritual, que é o Ritual do Serviço. Serviço é a palavra-chave de Virgo.

07) O tempo dedicado à meditação, é o tempo da busca do equilíbrio interno entre a mente e o coração, de modo a proporcionar um serviço eficaz. É a marca de Libra.

08) A Canção da Rosa Branca nos remete à pureza do coração do Auxiliar Invisível, que todo aspirante almeja atingir por meio de um pertinaz trabalho de regeneração, que é a marca de Escorpião.

09) Cantar o “Pater Noster”, a seguir, nos leva a buscar os Céus, nas asas da aspiração tão característica do signo de Sagitário.

10) O recobrimento do Emblema é a preparação para a volta ao mundo material, onde o auto-governo é essencial para uma proficiente aplicação dos

Ensinamentos Rosacruzes. O auto-governo e o auto controle são lições que o signo de Capricórnio nos ensina. Por outro lado, Capricórnio é o signo oposto de Câncer. Logo, o recobrimento do Emblema, operação oposta ao seu descobrimento, remete-nos ao signo de Capricórnio.

11) O Hino de Encerramento nos lembra nosso próximo reencontro, repetidas vezes. É uma despedida feita sob a égide da amizade, a grande marca de Aquário.

12) As palavras de despedida, são uma referência ao trabalho dos Auxiliares Invisíveis, expoentes da Raça Humana, a Hierarquia de Peixes.

27/05/2018

Astrologia e Ensino (parte I)

por Elman Bacher (*)

Júpiter, regente abstrato da nona casa é símbolo astrológico do mestre. Como o desenho facilita a compreensão de assuntos abstratos como este, sugerimos que o leitor faça quatro desenhos, para melhor fixação deste tema e principalmente se quiser expô-lo aos demais.

O primeiro desenho será um círculo com casas numeradas. Coloque o símbolo de sagitário na nona casa. A observação deste desenho nos leva a considerar, como ponto de partida, no hemisfério superior do horóscopo a expressão da consciência anímica, do esquema da vida, a nona casa, que é a expressão transcendente de sua polaridade inferior: a terceira casa.

Falar da nona casa, apenas, sem nos enraizarmos no exame da terceira, cujo regente é Mercúrio, que rege também o signo terceiro, Gêmini, seria “permanecermos no ar”. Adicionemos, portanto, em nosso desenho, o signo de Gêmini na terceira cúspide e coloquemos o símbolo de Mercúrio na terceira casa. Com este acréscimo assinalamos no hemisfério inferior um ponto que enfoca e aponta o oposto e correspondente, no hemisfério superior. Este desenho simboliza um “caminho da evolução, significando um aspecto da “consciência de separatividade” (3ª casa) que ascende para a paz da consciência anímica ou impessoal” (9ª casa).

A primeira casa, como temos dito em artigos anteriores é o “EU SOU”, representa conhecimento consciente da individualização, do SER. A segunda casa tem sua expressão identificadora na frase “EU TENHO”; é uma identificação emocional com a vida, por meio da consciência de conexão de POSSE. A terceira casa é a “ciência da vida”, pelo exercício da faculdade intelectual fria, nada emocional. Marte é o regente da primiera casa e Venus o da segunda. São expressões emocionais. Mercúrio, abstrato regente da terceira casa é, mesmo nos níveis da primitividade, a primeira expressão de percepção consciente do impessoal e do não emocional. Mercúrio representa nossa capacidade de “identificação racional”, não “emocional”. Por sua atividade damos nomes às coisas, tanto concretas como abstratas,. Mercúrio nos capacita, igualmente, na identificação das coisas, em termos de mensuração, qualidade e função. Por ele nos identificamos com a Vida, com suas coisas concretas, formas de utilização e de comunicação.

Deste ponto de vista, Mercúrio (regente da Terceira Casa do primeiro quadrante ou quadrante da absorção do círculo) é o símbolo do ato completo da aprendizagem. Mercúrio é, ainda, a faculdade transmitir fatos de uma mentalidade para outra, no recebimento de instrução ou de informações. É a linguagem expressa, pela voz, pelo gesto, pela visualização, pelos símbolos e pela escrita. É o relacionamento universal de todos entre si, dentro das atividades mentais diversas. É o símbolo de todos os estudantes e, como tal, esotericamente, a essência do todo relacionamento fraternal (por isso é Gêmini representado por dois seres humanos - gêmeos identificados). Não estamos levando em consideração afinidades exteriores, paralelos com cada um, fraternalmente, porque todos nós somos aprendizes nas experiências da vida.

Outras ponderações acerca deste desenho nos evidenciarão que todo ensino tem suas raízes no aprendizado. Maior facilidade, neste campo, depende de mantermos alerta o interesse e a faculdade de aprender.

As correntes em polaridade (na consciência), entre o hemisfério inferior e o superior, devem ser mantidas em estímulo, para o florescimento das capacidades da metade superior; Não é possível a nossa separação de qualquer parte do horóscopo; mesmo que possamos despender vinte horas de cada dia na profissão de ensinar, jamais deveremos negligenciar o aprendizado e deixar que se depauperem as faculdades mercurianas de aquisição de novos conhecimentos.

O ato de aprender é uma ignição de ciência dos fatos e de identificações. Pode ser considerado como uma inalação. Aquele que real e fortemente seja impulsionado a servir, pelo ensino, manterá viva a terceira casa. Em outras palavras, não haverá negligência de nenhuma oportunidade para aprender sempre, para atualizar-se, para superar-se continuamente. Esse processo de “absorção”, de aprimoramento, é indispensável para prevenir eventual obstrução, cristalização da habilidade de ensinar. Neste ponto nos deparamos com uma lição de sinceridade e de humildade: “Mestre é o que está sempre aprendendo”.

Se Mercúrio é símbolo de absorção mental, Júpiter – vital, radiante, dinâmico – é a abstração da “exalação”, é a transmissão do conhecimento intelectual amplificada e enriquecida pela maturidade da enriquecida pela maturidade da compreensão espiritual e dos aspectos mais profundos do conhecimento. Nessa conexão devemos adicionar outro fator ao nosso desenho inicial: o signo de Virgo na cúspide da sexta casa para completar os dois braços da cruz que, no hemisfério inferior estão regidos por Mercúrio.

Aqui o símbolo do irmão estudante é expresso numa forma prolongada, para apresentar a “fraternidade dos trabalhadores”. O Trabalho espiritualmente considerado mais como labor físico é o serviço que cada um pode prestar como contribuição o melhoramento da vida de seus semelhantes.

Virgo, como signo de Terra, exprime dependência prática: “eu trabalho para sustentar minha vida física e daqueles a quem amo”.

Essa atitude em relação à tarefa de ensinar (eu aprendo alguma coisa útil para poder ganhar dinheiro) é representada pela quadratura entre Gêmini e Virgo, que ameaça o desenvolvimento da capacidade do mestre, por que o mantem identificado com a consciência utilitária, que o levam à prática que produzem sempre atritos. A redenção desse esquema de quadratura deve ser realizada para que se possa atingir vivências superiores. Isto é revelada pela posição da sexta casa, a última do hemisfério inferior, a transição, a modulação para o hemisfério superior. A sexta casa sucede à quinta., que é a casa do Poder-Amor. Quando a consciência de trabalho por dinheiro é transmutada em criatividade por amor, e expressa SERVIÇO em prol do melhoramento da vida de todos, obtemos a redenção da sexta casa. É quando Maria, o lado feminino dentro de nós, inclina-se ante o EU Superior e diz: “Eis tua Serva, faça-se em mim segundo a Vontade do Pai, para redenção da raça humana”.

Por meio de experiências de Serviço-Amor, ganhamos compreensão de nosso objetivo como educadores, acrescentando vida aos livros, que por si só como principais instrumentos de instrução, são como conchas vazias. O verdadeiro Mestre é o que irradia essa compreensão, o que comunica nas palavras o ALGO que torna claro um ensinamento.

Agora completemos nosso desenho, adicionando o símbolo de Pisces na cúspide da décima segunda casa e em seu centro o símbolo de Netuno. Formamos, assim, a cruz dos signos comuns.

Através do primeiro braço (Gêmini) temos Mercúrio, simbolizando aquele que ensina (o professor). Sua exalação ou oposto é Júpiter, como abstração da nona casa. Mercúrio também está presente em Virgo, simbolizando aí a aplicação da experiência-serviço. A exalação da sexta casa é Netuno (e também Júpiter, outra vez, como regentes da décima segunda casa (reflexo imediato da sexta casa, forma de Consequência das causas geradas no serviço).

Considerando mais concretamente o assunto, apontemos alguns dos problemas que, cedo ou tarde, aparecem aos que sentem impulso de ensinar. Se ensinar é exprimir sabedoria seu objetivo deve ser o de iluminar. Ora, todo aquele que sente o impulso de iluminar e elevar os demais deve aceitar, de princípio, o desafio dos estados de consciência tenebrosa representados pela cristalização mental, pelo formalismo rígido de opiniões e atitudes, pelos preconceitos, pela estagnação mental, pelo tradicionalismo, e outros aspectos do hemisfério inferior, que, dentro de sí, como vozes do passado e influência do ambiente, podem formar a base perigosa da indiferença para com as necessidades impessoais ou espirituais dos estudantes. Tais provas constituem um aspecto de experiência pela qual o mestre deve passar, a fim de consolidar sua coragem, integridade e amor.

O impulso para desempenhar um serviço impessoal é sempre, mais tarde ou mais cedo, reptado por fatores econômicos. Encontrar o equilíbrio entre servir desinteressadamente e ter os recursos suficientes para viver, é uma prova das mais significativas na evolução de todo aquele que espiritualmente aspira atingir um nível mais elevado de serviço. (Continuará)
(*) Sobre Elman Bacher (aqui)
traduzido de Estudos de Astrologia, Elman Bacher pela Fraternidade Rosacruz 
Sede Central do Brasil e publicado na revista Serviço Rosacruz, janeiro, 1978

31/03/2018

OS SIGNOS ASTROLÓGICOS DO ELEMENTO ÁGUA E O MINISTÉRIO DE CRISTO

por Eduardo Aroso 
Créditos da imagem no final do texto

 (Modesta mas grata homenagem ao nosso irmão António de Macedo, do Centro Rosacruz de Minde (Portugal), que recentemente passou aos planos invisíveis; pela memória da sua presença e pelo legado que nos deixou)            Eduardo Aroso

Muito embora já se tenha relacionado Morte e Ressurreição com o signo aquoso de Escorpião, nomeadamente no que se refere ao Gólgota, existe porventura uma ligação estreita dos 3 signos do Elemento Água com o percurso de Cristo durante os simbólicos cerca de 3 anos do seu percurso mais importante na Terra, tempo esse do qual os evangelhos se ocupam, com excepção do seu nascimento e da apresentação no templo. Desde essa altura até aos 30 anos pouco se sabe de Jesus. As escolas esotéricas dão uma vaga informação de que, segundo uns, Jesus terá permanecido na Índia, enquanto outros dizem que esteve no Egipto. Max Heindel conta-nos que o filho de José e Maria teve acesso a conhecimentos ocultos e foi instruído por seres elevados que o ajudaram a fazer um trabalho de revisão das suas vidas anteriores, tal era o apuro da sua missão.

É bem conhecido o episódio bíblico do Baptismo no rio Jordão, quando o ser Arcangélico Cristo tomou o veículo físico de Jesus, o mais puro e preparado que havia na Terra. O que a seguir se expõe pode contribuir eventualmente para clarificar também um pouco o sentido que, na astrologia, se atribui às chamadas “casas místicas» do horóscopo: a 4ª, a 8ª e a 12ª, ou seja, as casas do elemento água, regidas respectivamente por Caranguejo, Escorpião e Peixes. Para além do já referido baptismo, outro episódio se pode referir sob Caranguejo, que é a Última Ceia. Caranguejo rege as águas e especificamente as dos rios (as dos oceanos estão sob a influência de Peixes). Convém lembrar que signos (e planetas) exercem a sua influência em vários níveis simultâneos (tal como a Vida se influencia em simultâneo nos vários mundos). Assim, Caranguejo tanto abarca a comida, os glutões, o metabolismo, as emoções e também o lugar silencioso e místico da alma, conforme nos diz Corine Heline sobre o discípulo Nataniel em afinidade com o citado signo: «Constitui o exemplo mais acabado do místico límpido, isento de ardis, e incapaz de astuciosos enganos». Por isso, a Última Ceia, o mais fraterno e divino ágape com seres humanos (apóstolos) e não humanos (Cristo é da Onda de Vida Arcangélica) situa-se, em simultâneo, no plano puramente biológico – sendo que até o alimento estava isento de álcool e carne – ao mesmo tempo que congregava um elevado “metabolismo” espiritual. Assim, seja pelo Baptismo, seja pela Última Ceia, ou por ambos, o signo cardinal de Caranguejo, à imagem de qualquer um dos 4 signos cardinais que dão começo às estações do ano, inicia o caminho para a culminância no Calvário.

Encontramos o sentido de Escorpião que começa logo na própria Ceia com a “traição” aparente de Judas. O sentido oculto de Escorpião não é fácil de descortinar, como não foi a própria “traição” do apóstolo, que, na verdade, não o foi, conforme bem explicita o rosacruciano Edmundo Teixeira no seu «curso de cristianismo esotérico». Transmutação, perdão, aceitação / desapego (perda consciente de algo dando as boas-vindas ao que chega, desconhecido e por vezes até temido) são, entre outras, palavras-chave de Escorpião e do seu co-regente Plutão. Há o todo em nós que é maior que a parte (a personalidade em cada renascimento). «Que seja feita a Tua vontade e não a minha». O perdão vemo-lo de um modo superlativo e completamente abnegado nas palavras de Cristo: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem». Mas, como não podia deixar de ser, há o lado da vitória da energia mais sublime e elevada de Escorpião, quando Cristo exclama na cruz: «Pai, porque me glorificaste?!». Max Heindel, como só um clarividente  voluntário (iniciado) o pode fazer, trouxe uma verdadeira luz a este episódio que, segundo o Mensageiro dos Irmãos Maiores da Rosacruz, resultou de uma tradução errada do aramaico, devido a uma letra ou sílaba, e que veio a dar a infeliz expressão «Pai, porque me abandonaste?!» e que tem martirizado tanto cristão devoto, uma atitude passiva, sempre com o beneplácito da igreja Romana. Como poderia o Amado do Pai ser abandonado em tão difícil missão?

Dado que os acontecimentos espirituais se podem sobrepor no tempo – há
quem fale no mundo de hoje em fenómenos sincrónicos   como é o caso  da cerimónia do Lava-Pés, antecedendo a Crucificação, existem cenas e sentidos nesta que são também da esfera de Peixes, completando-se assim esta trilogia. Este signo, no simbolismo do horóscopo, rege a 12ª casa, a última do Zodíaco. Uma das várias palavras-chave e sentidos que podemos encontrar em Peixes é o da necessidade de completar algo, fechar o ciclo, dado que só assim se passará ao Ascendente e 1ª casa (novo amanhecer). O Mestre disse: «Aquele que for lavado, precisará apenas de lavar os pés para ser inteiramente puro». Eis a razão do sacrifício pisceano. É interessante observar que o sacrifício em Peixes não é o sacrifício da lei de Saturno; é mais elevado: generoso, sem limites (Júpiter) e tudo abarcando (Neptuno), por vezes não meditamos bem que a regência da 12ª casa está a cargo não só do universal e espiritual Neptuno, como também de Júpiter. A Igreja tem o que chama oblação que define muito bem esta entrega sacrificial. A expressão pisceana que porventura define o fim do ministério de Cristo no plano físico é quando exclama: «Tudo do está consumado». A filosofia rosacruz ensina que, apesar desta afirmação, Cristo, embora liberto deste Calvário terrestre tem ainda a seu cargo o nosso planeta, ou seja, liberto de um sacrifício supremo, conotado com a 12ª casa, entrou num novo amanhecer ou Ascendente que, oxalá não seja tão penoso para o nosso Salvador, como o foi há 2.000 anos.

Eduardo  Aroso
Páscoa de 2018
Notas:
(1) Antonio de Macedo - biografia e artigos
(1) Eduardo Aroso : biografia e artigos
Créditos da Image: Batismo de Jesus por William Blake; Santa Ceia, autor desconhecido; O Lava-pés por Ford Maddox;; A Crucificação por Giotto.