31/12/2014

Começa Um Novo Ano...


“O progresso da humanidade, no tempo e no espaço, está correlacionado, de forma indissolúvel, com as Doze Hierarquias Divinas conhecidas como os Signos do Zodíaco. Herdamos de cada Hierarquia, em forma de sementes, um determinado conjunto de talentos. Nos sucessivos renascimentos semeamos e colhemos, trituramos e destilamos as experiências acumuladas.”
Max Heindel  (Curso Elementar de Astrologia)

30/10/2014

Plutão e Escorpião

Extraido do original: Zodiacal Hierarchies deThomas G. Hansen, publicado na revista Rays from the Rose Cross da The Rosicrucian Fellowshipno período de abril de 1980 a março de 1981. Tradução da revista Serviço Rosacruz 

É evidente, através de toda informação disponível, a afinidade de Plutão com Escorpião. É atribuído á Plutão uma dupla personalidade: primeiro como a fonte de todos os tesouros e riqueza do mundo (ele era o regente do universo físico); segundo, como monarca dos reinos mortos habitados pelas sombras invisíveis dos mortos (Hades).

Plutão era visto como uma divindade benevolente e um verdadeiro amigo do homem devido ao seu poder de dar fertilidade à vegetação, de fazer germinar a semente nos sulcos, de nutrir a terra (Escorpião é um fecundo signo da água) e de produzir tesouros de metais preciosos. Havia, também, um lado severo em seu caráter: o deus implacável, inflexível, que  não podia ser persuadido por dádivas ou sacrifícios, a permitir a volta de alguém que já tivesse passado por seu portão. Por esta razão, morte e prisão perpétua no mundo inferior eram vistas como destino funesto e inevitável a espera de todos os homens. Os meios de conforto e prazer na vida também se originaram com Plutão. Quando o lado benevolente de sua natureza foi levado em consideração, a esperança de uma futura vida feliz tornou-se possível.

Plutão corresponde ao Ego ou ao espírito encarnado do homem.

O deus da morte era o guardião dos mistérios da vida. A morte é o último inimigo a ser vencido, daí a morte se situar no limite entre mortalidade e imortalidade. A "morte" simbólica dos Mistérios foi a grande porta da Iniciação. Plutão será encontrado continuamente expressando esta qualidade: destruir o velho e dar lugar ao novo.

A medida que a sabedoria se firma na Terra, a influência de Plutão se manifestará em grau muito maior. Um conhecimento da natureza de Plutão se ampliará, com o despertar do homem, para realidades espirituais. Escorpião, casa da Iniciação, é o Caminho da Regeneração.

Plutão, Senhor do Sub-Mundo, guarda as portas dos mundos inferiores através dos quais o espírito do homem caminha no ciclo do renascimento, em sua eterna procura da verdade. Nas profundezas escondidas habita o homem animal que procura destruir o Ego embaraçado no labirinto (destino maduro) da ignorância terrena. Assim, Plutão se torna o adversário que testa aqueles que procuram união com os imortais.

O aspirante precisa passar por todos estes testes antes que possa merecer as glórias do futuro — libertação das condições materiais e morte e liberdade da roda do renascimento.

A libertação dos efeitos dos raios de Plutão é encontrada seguindo-se os caminhos gêmeos da Intuição e da Razão à procura do Espírito perdido. A mais séria função de Mercúrio (criado e mensageiro dos deuses) era conduzir os Espíritos do morto para baixo, nos caminhos escuros, através dos portões do Sol (Câncer e Capricórnio) e da terra dos sonhos, até os reinos escuros de Hades, onde habitavam as almas e os espectros dos homens.

Para alcançar e compreender Plutão precisamos livrar-nos dos medos e dos preconceitos. Precisamos olhar para o futuro e entrar neste reino com objetivos puros e com o Espírito limpo e regenerado.

Passar neste teste é qualificar-nos e tentar associar-nos com Aqueles mais avançados e cheios de graça que progrediram em sabedoria e luz e que tornaram o caminho do homem mais claro.

Dentro de Plutão estão a força do universo e também as três expressões destrutivas da energia universal: a perversão mental, moral e física. A purificação e a perpetuação desta força criativa resultam na regeneração do corpo, na iluminação da mente e na transmutação das emoções.

Através de Plutão somos confrontados com nosso passado e nossas limitações. Aspectos de Plutão no horóscopo forçam atividade em nossas vidas. Plutão não é proeminente em influências de natureza individual e pessoal; refere-se, particularmente, à atividade que demonstre ou que tenha sido motivada através da consciência geral do todo. Plutão purifica a alma depois da “morte”.

Plutão nos dirige para cima e nos leva às alturas para o mundo inteligível. Plutão governa a morte ou a cessação de velhas idéias ou emoções. Plutão influencia e governa amplamente o submundo, as atividades sub-conscientes e aquelas atividades que lidam com o reparo diário, a renovação, a purificação, a regeneração e a perpetuação do corpo.

As quadraturas de Plutão conferem uma inabilidade para cooperar, principalmente em trabalhos com grupos grandes e em assuntos que afetam grande parte da humanidade. Quadraturas podem, também, se referir à pontos-de-vista irreconciliáveis e à coisas que devem ser suportadas ao invés de curadas." Plutão exerce uma força fermentadora dominante nas vidas daqueles que reagem â sua influência”. A ação, geralmente de caráter purificador, é certa. Portanto, a influência de Plutão é para ser notada, especialmente nas vidas dos indivíduos onde novos modelos demandam a remoção de obstáculos resultantes de ação passada.

A ascensão de Escorpião ou o Sol em Escorpião não indica Plutão como o governante do mapa, a menos que o indivíduo em questão seja capaz de subir muito acima das alturas do progresso do homem atual.

Até que reconheçamos a força da divindade em nós, Plutão continuará a elevar, separar e transformar modelos antigos em novos.

À medida que Escorpião se levanta da Terra (geração), ele se eleva para os céus e voa como uma Águia (regeneração) embora ele também tenha rastejado como uma serpente (degeneração).

   O caminho regenerado é um caminho árduo, mas é pela regeneração que se chega à purificação. O objetivo: a Iniciação.

27/09/2014

Vênus em Ação

traduzido e adaptado da revista Rays from the Rose Cross

Dos Ensinamentos dados por Cristo, aprendemos que o AMOR é a fonte da Vida, e a voz dos humanos proclama continuamente que somente pelo amor vale a pena viver. Max Heindel diz que, desde o ponto de vista místico, Vênus – o astro do Amor – deve ser o primeiro que tomemos em consideração.

O símbolo de Vênus – o círculo (espírito) sobre a cruz (matéria) – nos mostra claramente o princípio deste planeta no plano material: atrair, unir, conectar, unificar, reconciliar, enfim, manter a unidade no plano material como um reflexo do espiritual.

Compreenderemos melhor as características de Vênus estudando seus efeitos através dos seus próprios signos Touro e Libra. Considerando algumas qualidades de Vênus através de Touro destacamos: HARMONIA e RITMO. A mensagem combinada de Touro e Vênus é profunda. A origem de toda a cor é o som, e cada som produz uma vibração. Portanto, a cor depende do som. Para simplificar este particular consideremos o som como pertencendo ao signo de Touro e a cor ao signo de Libra, sendo Vênus criadora em ação com estes signos de som e cor formando HARMONIA E EQUILIBRIO.

De forma poética os hinos astrológicos de Touro e Libra – criados por Emma Wendt, estudante da The Rosicrucian Fellowship, contemporânea de Max Heindel - falam, respectivamente, do poder criador do som e da harmonia trazida à Terra através da cor. 


Como o Amor é o segredo da Vida e a Ordem é a primeira lei do Universo, não poderá existir Harmonia no ser humano sem este poder de equilíbrio, pois Vênus não atua total e diretamente no plano físico até que as paixões tenham sido controladas e transmutadas para emoções superiores. Para constatarmos tal fato, basta observarmos que, curiosamente, os dois signos regidos por Vênus – Touro e Libra – possuem respectivamente seus opostos – Escorpião e Áries – regidos por Marte, conhecido como o planeta das paixões. Todas as qualidades de Vênus, nos seres da Terra estão “matizadas de Marte”, já que a órbita da Terra está entre Vênus e Marte.

Dizemos que Vênus representa o afeto, o amor pessoal, atração pelo sexo oposto, serenidade, alegria, desfrute da vida em todos os aspectos, êxitos sociais, atração ao que satisfaça os sentidos, dádivas sem esforço, a colheita dos afetos de vidas passadas, a essência das atrações, as qualidades encantadoras, a graça. Enfim tudo o que representa o estético, seja na relação com objetos ou nas relações humanas. O refinamento, a delicadeza e a arte nos chegam como um fragmento divino, e Vênus cuida e protege essa essência para que expresse a perfeição.

A primeira lição que o ser humano aprende sobre o Amor é no lar, na relação amorosa com os pais. A mãe que canta as doces canções de ninar – essa formosa nota-chave de amor, que contem em si as qualidades embelezadores de Vênus, está colocando Vênus em ação e contribuindo para que a estrutura óssea e orgânica de um novo corpo - um novo Templo de Deus - se forme harmoniosamente.

Vênus dá os seus dons por meio dos sons ou da canção que nasce no “depósito mágico”, a garganta (Touro) por cujo conduto expressa suas “notas de amor” harmonizando e colorindo (Libra) o mundo com inúmeros matizes.

A humanidade, de tempos em tempos, recebe essa ajuda venusina a fim de manter-se harmonizada e em equilíbrio para levar avante sua evolução espiritual. Esta ajuda ocorre por meio das criações musicais de grandes gênios. Como exemplo máximo temos a famosa tríade,
Johann Sebastian Bach:  Vênus – Mercúrio
Ludwig van Beethoven,: Júpiter,Marte – Vênus
Richard Wagner:  Urano – Vênus.

O planeta Vênus está exaltado aos 27 graus de Peixes, o signo representante da casa doze (o final de um ciclo), por vezes considerada a casa da dor e da tristeza. Aqui, se Vênus transmutou devidamente o caminho percorrido, inicia sua prática de compaixão pela família humana (Peixes), começando a imitar o Amor Crístico.
 Adaptado do artigo: Venus em Ação de Ivy M.Gibsom, revista Rays from the Rose Cross, década de 1950.

05/01/2014

Propósito Renovado (uma mensagem para o Ano Novo)

Naftali (um dos símbolos de Capricórnio), o veado perdido, um dos
filhos de Jacó, o Sol, de novo dispara a fim de percorrer mais uma jornada anual.

Embora, aparentemente, todos os anos sejam iguais, porque são medidos pela marcha da Terra em torno do Sol (translação), sabemos à luz da Astrologia espiritual, que nada se repete. Espirais dentro de espirais, recapitulações sem conta, mas sempre sob novas condições. Na contínua e harmoniosa marcha dos astros, em sua órbita, o quadro dos céus se renova constantemente, de minuto a minuto. Somente após 25.920 anos comuns, a contar de uma configuração determinada, a posição dos astros, no céu, volta a formar o mesmo quadro. Contudo, mesmo assim, esse quadro repetido dos céus se realiza sob novas condições, numa espiral acima. A humanidade e os demais reinos se encontram então, com novas condições internas e reagem diferentemente. Nada se repete em realidade. A vida é movimento e renovação constantes, mesmo nos aparentes repousos.

Começa um ano NOVO de fato. Começa pela experiência saturnina adquirida no passado. Renova-se pelo revolucionador Urano, revestindo-se racionalmente de novas aspirações aquarianas; infunde-se da religiosidade de Peixes; galvaniza-se com a energia de Áries; firma-se na calma e persistência de Touro; empreende os vôos inquiridores de Gêmeos; lança a semente germinadora e imaginativa de Câncer; acrescenta o calor e coragem de Leão, concebe os grãos de realização de Virgem, dá o equilíbrio e a beleza de Libra, o dinamismo e emoção de Escorpião, o idealismo e bondade de Ságitário e assim termina mais uma obra anual. É uma escola admirável. Temos de freqüentá-la dia após dia, ano após ano, com as capacidades que trouxemos das vidas e anos anteriores, modificando sempre nossas reações às influências estelares. Enquanto houver dor, sofrimento, tristeza, angústias, neuroses, ódios, violências, é sinal seguro de que o "fermento", dentro de nós, encontra matéria reativa de defeitos, de ignorância. Temos de chegar ao ponto em que nenhuma qualidade negativa dos signos e planetas encontrem reação e sintamos como o Cristo: "não resistir ao mal".

Lenta e seguramente o altruísmo vai ganhando terreno e o homem interno se converte num Hércules, o ousado filho dos deuses, capaz de vencer as doze tarefas, isto é, de formar em si, alquimicamente, as qualidades positivas dos corpos macro cósmicos e se converta numa réplica dos céus, num eco de Deus, numa partícula individualizada do Cosmos.

Desejamos que cada tropeço, cada dor, cada alegria, no decorrer do ano que se inicia, seja encarado pelo aspirante Rosacruz de forma serena, positiva e compreensiva, como correções e elogios que o Mestre vai pondo nas provas de seus alunos. 365 páginas em branco para preenchermos com nossos atos. Por eles é que o Senhor avaliará nosso avanço. O aspirante sincero e humilde medita muito sobre cada correção, sobre cada advertência, para que não a repita mais, porque sabe que mais profundamente aprende com os erros do que com os êxitos.

E persiste, cheio de esperança do futuro, não apenas para passar pela vida, para passar de ano, mas para aprender o melhor possível aquilo que lhe é ensinado; persiste, não para tirar um diploma, mas com o amoroso propósito de melhor servir a seu próximo, à semelhança dos invisíveis Mestres que o ensinam agora. Nesta ordem de idéias é que, mui sinceramente desejamos a todos, renovem seu propósito para uma vida melhor e mais alta, no decorrer do ano de 2014, perseguindo aquele ideal enunciado por nosso sublime Mestre: "que sejamos perfeitos, como nosso Pai Celestial é perfeito".
editorial do ECOS da Fraternidade Rosacruz-Sede Central do Brasil, jan-fev 2004

24/11/2013

Dante, o Maior dos Astrólogos, III, O Paraíso (Final)

(Saturno e Oitavo Céu)
original: The Planetary Heavens of Dante - Rays from the Rose Cross Fev-Apr, 1977(*) 
SATURNO
O sétimo céu é o de Saturno. Aqui São Bento mostra a Dante as belezas e delícias deste céu, como sendo de um  grande Mestre e Iniciador. Para aqueles que olham Saturno como um maléfico, pode parecer estranho que este planeta represente o sétimo céu, mas devemos lembrar que estamos lidando com a mais alta concepção dos planetas,quando eles se tornam céus, e "nenhum mal pode entrar lá". Sendo o céu da existência contemplativa, assim Dante descreve agora Beatriz:
Beatriz, sem sorrir-se, me dizia:
— “O sorriso contenho; de outra sorte,
Como Semele, em cinzas te veria.

“Minha beleza, viste já, mais forte
Refulge, quanto mais se eleva a escada,
Por onde ascende para a eterna corte.
Divina Comédia, Paraíso, Canto XXI
tradução de José Pedro Xavier Pinheiro - fonte Wikisource

Dante vê uma grande escada de ouro alongando--se diante de si. A escada de Saturno representa os aspectos mais intensos das experiências pelas quais o místico sobe. É por essas etapas progressivas como a concentração, a meditação, a observação, a discriminação, a aspiração, contemplação e adoração que o candidato sobe ao céu das estrelas fixas, isto é, uma concepção do todo. A essência do que é aprendido em um céu nunca é perdido. Os homens nos céus superiores compreendem aqueles que ainda estão na parte inferior, mas evidentemente o contrário não é verdadeiro. Não percebemos ou temos uma idéia precisa de como nos elevamos espiritualmente, assim como ninguém percebe o crescimento do seu corpo físico.

Beatriz, como a mãe, que ao filho caro
Súbito acorre ao vê-lo espavorido,
Com voz, que sói lhe ser terno anteparo,

“Ao céu” — disse — “não vês que foste erguido?
Ignoras tu que o céu em tudo é santo
E a caridade a tudo há presidido?
Divina Comédia, Paraíso, Canto XXII
tradução de José Pedro Xavier Pinheiro - fonte Wikisource

OITAVO CÈU (AS ESTRELAS FIXAS)
No oitavo céu é concedido a Dante um vislumbre do Cristo, o Caminho, o Ideal, a Força do Místico: "E neste banquete celestial minha alma superou-se''.

Aqui Dante encontra os santos Tiago, Pedro e João uma representação à sua passagem pelos testes da esperança, da fé e da caridade respectivamente. Dante aprendeu que, cultivando esses três fundamentos, o homem pode moldar sua alma no molde original arquetípico de um “Cristo”. Pela aquisição da esperança, Dante descobre que ele pode olhar com serenidade sobre as “grandes montanhas” e obstáculos que anteriormente tanto temia. Em Marte ele ouviu a voz para conquistar, agora ele se tornou um conquistador. Ele é informado de que sua missão ou trabalho é "revigorar os outros com a esperança." Sucessivamente Dante é “testado” por Pedro e João em sua fé e caridade. A tudo sendo aprovado.

No oitavo céu, ele contempla, como Dionísio, as nove ordens de Anjos, após o que, ele passa para o céu de luz ilimitada (Empireo). Aqui Dante vê uma luz fluindo em uma aparência como de um rio, ao que Beatriz chama de “o amarelo da Eterna Rosa”. Nele Dante vê a alma dos bem-aventurados, na forma de uma rosa branca. Ele tornou-se livre, e percebe que foi Beatriz que lhe o trouxe da escravidão para o estágio do homem livre. Mas quando iria expressar sua descoberta a Beatriz, esta já havia subido ao lugar dos bem-aventurados, e Dante, por sua vez encontra o seu terceiro e último guia, São Bernardo, que pede a ele para que olhe para a Virgem Maria – só assim ele entenderá Beatriz. Seu olhar à Virgem Maria representa o culminar do aspecto feminino da consciência.

Reza São Bernardo à Virgem para dar força Dante para que ele possa olhar o “esplendor eterno”, e Dante é então habilitado a olhar a luz intensa sem ser cegado. Assim, ele atingiu a consciência cósmica e, nesse estado, ele vê a unidade subjacente em todas as coisas:

Bem como abelhas, cujo enxame agora
Nas flores se apascenta, agora torna
À colmeia, onde os favos elabora,

Descia à flor imensa que se adorna
De folhas tantas, e depois subia
Ao centro, onde o amor seu sempre sojorna
.
Divina Comédia, Paraíso, Canto XXXI
tradução de José Pedro Xavier Pinheiro - fonte Wikisource

Sua última visão é a da Trindade na forma de três círculos girando, o que  nos lembra a visão de Ezequiel. Em uma das rodas Dante acha que vê a humanidade:

Mas, como, olhando, a vista se alentava,
A Imutável Essência parecia
Mudar, quando só eu me transformava.

Na substância profunda e clara eu via
Da excelsa Luz três círc’los dicernidos
Por cores três, de igual periferia,
... ...
Assim eu ante a nova visão pura
Ver anelara como a image’ humana
Ao círculo se adapta e ali perdura.
Divina Comédia, Paraíso, Canto XXXIII
tradução de José Pedro Xavier Pinheiro - fonte Wikisource

Esta é a última etapa da viagem - o clímax no qual o homem é arrebatado na visão da unidade do universo, onde é energizado por grandes forças cósmicas e vê de relance a fusão do humano com o divino. Dante nos diz que nesta sua última visão passou "do humano para divino, do tempo para a eternidade.''

Assim o maior de todos poemas termina com a palavra "estrelas", com todo o significado que esta palavra encerra, e mais, mostrando que Dante atingiu não só as estrelas, mas até mesmo "o Amor que move o Sol e todas as estrelas".
Nota: a tradução de Dante- Inferno e Purgatório foram feitas por Maria Carolina Carvalho para a revista Serviço Rosacruz. A tradução de Dante - O Paraíso feita por Maria Lázara Franzini não consta na revista citada.

Dante, O Maior dos Astrólogos, III - O Paraíso

(Sol, Marte e Júpiter)
original: The Planetary Heavens of Dante - Rays from the Rose Cross Fev-Apr, 1977(*) 
 
SOL
Agora, um novo influxo de vida desperta no  íntimo de Dante. É a vida que vem do “céu Sol” que e é simbólico de um novo poder. O Sol rege o Ego, a individualidade, a vontade, enquanto que a Lua governa a personalidade passageira através da qual o Ego se expressa. Dante sente agora que ele é de fato “o convidado do céu'', devido aos esforços de Beatriz. Então, como o amor de Deus “jorra através das suas elevadas emoções”, ele até se esquece de Beatriz, sua expressão-pessoal, como ele cita em seu poema:
“E em tanto enlevo o coração se acende,
Que a Beatriz olvida, fervoroso.”
Divina Comédia, Paraíso, Canto X 
tradução de José Pedro Xavier Pinheiro - fonte Wikisource
Dante  agora é uno com o maior poder. Amor não é mais algo que satisfaça suas emoções ou sua mente. Ele sente-o como sendo a própria Vida.
No “Céu Sol” ele conhece Dionísio, o Areopagita, que falou sobre as nove ordens de Anjos e também encontra Richard de São Victor, que escreveu A Arca Mística, um tratado sobre a alma que está “plena de Deus”. É também aqui que o seu ex-professor (na terra), Tomás de Aquino, mostra-lhe mais claramente  que todas as coisas, se corruptível ou incorruptível, são baseadas em formas arquetípicas.
 
O alto espírito encerra, tão profundo,
Que se o Verbo de Deus é verdadeiro,
De saber tanto não se alçou segundo
.
Divina Comédia, Paraíso, Canto XI 
tradução de José Pedro Xavier Pinheiro - fonte Wikisource
 
É muito semelhante ao que São Paulo chama "o padrão no monte." No entendimento celeste, primeiro reside o pensamento. Quando Deus fala, a criação começa.
Aquino também fala sobre a necessidade de tolerância, pois a tolerância é parte do amor que só o homem plenamente desperto espiritualmente pode apreciar. A tolerância deve ser baseada no amor, não na indiferença. Aquino diz:
 
“Quem no julgar as cousas se apressura
Imita aquele, que estimasse o trigo,
Quando a seara inda não stá madura.

“No inverno hei visto espinho dar castigo
Ao que imprudente as ramas lhe tocara;
Rosas depois oferecia amigo”..
Divina Comédia, Paraíso, Canto XIII
tradução de José Pedro Xavier Pinheiro - fonte Wikisource
 
Nós não sabemos como trabalha o milagre da Vida. Como que o Espírito pode trabalhar, por exemplo  com uma árvore, aparentemente nua. Somente o Sol pode trazer a esta árvore, folhas, flores e frutos. Só sabemos trabalhar  com a forma.
 
MARTE
O quinto céu é o de Marte. Este é o reino da energia dinâmica e da coragem. É o paraíso dos mártires, dos que trabalham e lutam pela humanidade. O batismo do Espírito tem lugar no céu mas o trabalho é realizado em Marte. Aqui o rosto de Beatriz  assume uma bela tonalidade rosada:
Mas Beatriz tão bela e tão ridente
Rebrilhou, que a visão maravilhosa
Bem como outras, seguir não pode a mente
.

Aos olhos força deu tão poderosa,
Que se alçaram; e com ela transportado
Vi-me à esfera mais alta e luminosa.
Divina Comédia, Paraíso, Canto XIV
tradução de José Pedro Xavier Pinheiro - fonte Wikisource
 
O símbolo de Marte é uma cruz sobre um círculo. Aqui Dante vê as formas dos “guerreiros celestiais” em forma de uma cruz. Ele ouve um hino de louvor sublime:
Pude esta vozes distinguir, atento:
“Bendito sejas, Deus, Um na Trindade,
Que à prole minha dás tão alto alento!

“Meu longo e caro anelo, na verdade
Dês que no grande livro hei ler podido,
Imutável na sua eternidade,
Divina Comédia, Paraíso, Canto XV
tradução de José Pedro Xavier Pinheiro - fonte Wikisource
 
O propósito da viagem de Dante é a auto-libertação. Em Marte lhe é dado o poder de conquistar, mas mesmo neste estágio avançado do Caminho ele, vagamente percebe que o poder para esta libertação está dentro de si mesmo.
Neste céu de coragem Dante encontra um de seus antepassados, que prediz algumas das experiências duras e amargas que Dante vivenciará na Terra:
“Sentirás quanto amarga; quanto anseia
O sal de estranho pão; que é dura estrada
Subir, descer degraus da escada alheia.

“Tua angústia há de ser mais agravada,
Te acompanhar no val do exílio vendo
Ignóbil gente, estólida malvada
Divina Comédia, Paraíso, Canto XVII
tradução de José Pedro Xavier Pinheiro - fonte Wikisource
 
Devemos lembrar que Dante fez conquistas no plano físico. Apesar de sua vida errante, exilado, ele escreveu os poemas mais doces e mais belos. que a humanidade já viu.Todos que estão no Caminho devem fazer uma canção das duras experiências da vida.
Há também neste céu, uma sutil referência aos centros sensoriais que começaram a dinamizar-se e a girar no corpo do candidato à Iniciação:
 
Mas quem reflete que os eternos selos
Vão da beleza no alto se apurando,
E aos olhos não voltava-me por vê-los,
Divina Comédia, Paraíso, Canto XIV
tradução de José Pedro Xavier Pinheiro - fonte Wikisource
 
JÙPITER
Júpiter é o planeta da mente intuitiva e da inspiração e também da opulência. Por esta razão, neste céu é mostrado a Dante a vida de vários reis cristãos com as devidas consequências que tiveram do bom e mau uso que eles fizeram do seu conhecimento das leis cristãs. Agora o rosto de Beatriz agora assume um brilho extasiante.
 
Como a delícia eterna, rebrilhando
Direta em Beatriz, me extasiava
Do gesto seu por um reflexo brando,

Com riso, de que a luz me subjugava,
— “Volve-te, escuta ainda; o Paraíso
Não está só nos meus olhos” — me falava
Divina Comédia, Paraíso, Canto XVIII
tradução de José Pedro Xavier Pinheiro - fonte Wikisource
 
 
O julgamento de Júpiter é temperado com misericórdia. É uma justiça baseada em princípios, e não em leis. No jupiteriano perfeito, não há condenação. Cada Espírito está em sua fase particular de crescimento para algum propósito. As fraquezas de cada um não são para serem condenadas mas  amorosamente auxiliadas. Dante descobre que através da justiça infinita cada Espírito inspirado pelo Amor Divino trilhará algum o caminho de volta para  o céu, sejam quais forem os obstáculos.
 
Penetra na justiça sempiterna
A vista concedida ao vosso mundo,
Bem como o olhar, que pelo mar se interna:

Se junto ao litoral lhe enxerga o fundo,
No pélago o não vê: certo é que existe,
Mas encoberto está por ser profundo.
Divina Comédia, Paraíso, Canto XIX
tradução de José Pedro Xavier Pinheiro - fonte Wikisource
 
Nota: a tradução de Dante- Inferno e Purgatório foram feitas por Maria Carolina Carvalho para a revista Serviço Rosacruz. A tradução de Dante - O Paraíso feita por Maria Lázara Franzini não consta na revista citada.

06/10/2013

Dante, o Maior dos Astrólogos, III - O Paraíso

(Lua, Mercúrio e Vênus)
original: The Planetary Heavens of Dante - Rays from the Rose Cross Fev-Apr, 1977 

Nota1: A primeira e segunda parte deste artigo  estão no blog Rosacruz e Devoção - Parte I - O Inferno, Parte II - O Purgatório
 
O Paraíso descreve a iluminação espiritual para o aspirante ao longo do Caminho. Ele revela a consecução mística da consciência cósmica, a fusão da alma humana com o Espírito Divino. No Purgatório, Dante se revelava como o escriba do amor. Em O Paraíso ele percebe a si mesmo como o “convidado do céu”. Ele participa do amor divino e é energizado por ele. Dante é um místico. Os avanços místicos na experiência religiosa ocorrem através do sentimento e do amor, enquanto o ocultista se esforça para um conhecimento das leis da natureza que governam o progresso espiritual. A busca do místico é sempre se aproximar do amor de Deus. É uma busca pessoal onde cada indivíduo tem de trilhar o Caminho sozinho. Em seu poema, Dante descreve a estrada que ele próprio trilhou, portanto o poema revela-se como um caminho-modelo para os místicos.

Antes de podermos apreciar O Paraiso, devemos saber o que significa  o céu para o místico. O céu é um estado de consciência onde há paz interior e contentamento. É um estado em que o homem olha para a alma das coisas, não apenas para o seu exterior, e nelas vê o principio subjacente de amor, um amor onde o Criador e Sua criação são recíprocos.

Em “O Paraíso” as características astrológicas  estão muito  mais evidentes do que no “Inferno” e no “Purgatório”. Nesta parte Dante nomeia especificamente os sete céus com o nome dos sete planetas, o que não ocorreu nas duas partes anteriores, embora ficasse fácil, para qualquer astrólogo, reconhecer através das características inferiores, a quais planetas Dante se referia.

Para o astrólogo místico há sete grandes princípios na vida que se manifestam através dos assuntos governados pelos sete planetas – as sete pombas do Espírito Santo. Dante, portanto, tem que viajar através de cada um dos sete planetas, aprendendo o princípio básico que os governa.

Primeiro, ele é atraído para cima, para a Lua, por uma espécie de cordão invisível. Esse cordão faz parte do amor do Criador para com o homem. O amor que sempre nos rodeia, mas que não sentimos ou percebemos, até que abandonemos as características mais grosseiras de nossas vidas.

LUA
A Lua simboliza o principio feminino ou emocional da alma. Ela rege o principio da maternidade.  É o astro do mar - o vasto oceano da experiência. Este é o Primeiro Céu, ou estado de consciência, que o homem geralmente experimenta, quando, depois de ter passado por mares de problemas e acreditando estar sozinho ou sob o domínio de um poder cruel, entra em contato com o Amor Divino pela primeira vez, o que lhe enche de emoção e alegria.

No “céu Lua” estão os espíritos daqueles que sentiram um grande impulso emocional religioso, mas nunca tiveram a oportunidade de entrar em ordens religiosas. Aqui eles sentem-se realizados. Encontraram a calma do “grande oceano”, tanto que, quando Dante lhes pergunta se desejam ir mais além, eles respondem:
“Rege o nosso querer, em paz constante,
A caridade, irmão: só desejamos
O que ora temos e não mais avante.

“Anelando ir mais alto do que estamos,
Seríamos rebeldes à vontade,
A que aprouve esta estância, que habitamos.

“Pois nos cumpre existir na caridade,
Surgir não pode em nós tal pensamento,
Dessa virtude oposto à santidade.

“Condição de eternal contentamento
É preceito cumprir do Onipotente:
Um só com ele é logo o nosso intento
.
Divina Comédia, Paraíso, Canto III- 
tradução de José Pedro Xavier Pinheiro - fonte Wikisource

Então Dante percebe que por causa dessa tranquilidade e paz, cada ponto no céu é o Paraíso.

MERCÙRIO
O céu seguinte é o de Mercúrio - sempre jovem e alegre. Beatriz sorri, e "o astro aumentou de brilho com seu sorriso!" Em cada céu há uma mudança em Beatriz. Esta mudança é um símbolo, pois mostra o novo desenvolvimento da consciência de Dante, uma vez que  Beatriz representa a alma de Dante.

No “céu Mercúrio” ao invés da emoção é a mente que predomina. Este é o paraíso dos pensadores - o mundo de origem do estudante ocultista. Beatriz fala aqui do voto precipitado de Jefté, que o levou a sacrificar sua filha, e do voto tolo de Agamenon, ao sacrificar sua filha Ifigênia. No planeta da alegria, a renúncia de um ente querido é concebida como algo errado. A renúncia de qualquer coisa é necessária apenas no Purgatório, e mesmo lá é só o mal que deve ser renunciado. Neste céu, Dante ganha a compreensão de que toda a vida vem do amor celestial e portanto é eterna. Se o ser humano tiver sempre em mente que a sua forma arquetípica é a mesma de Deus, irá se conscientizar de que é um Espírito e não pode morrer. Por sua vez, a conscientização da imortalidade do Espírito despertará também o sentido do livre-arbítrio; a princípio de forma limitada, mas que aos poucos crescerá na proporção que o poder criativo divino no homem for se desenvolvendo, liberando-o dos grilhões da matéria e conscientizando-o cada vez mais de sua origem divina.

VÊNUS
Vênus representa o princípio unificador, a beleza e o amor. Neste planeta, Beatriz aparece a Dante mais bonita que nunca.

Aqui, também um velho amigo de Dante, Charles Martel, ensina-lhe que há no ser humano um principio maior do que a hereditariedade, ou então não haveria espaço para a genialidade. Da mesma forma o tolo e o malfeitor não poderia nascer ás vezes, de pais refinados. Ele também ensina que o homem deve amorosamente unificar-se com o trabalho a que foi destinado nesta vida, cooperando com o melhor de suas capacidades, em vez de inibi-las.

Vênus é o céu planetário dos artistas, poetas e todos os outros que se propuseram a ajudar as pessoas a ver que o amor e a beleza são partes do amor de Deus. É um paraíso que transcende o de Mercúrio, embora a experiência de Mercúrio permaneça na consciência.
Antes que os planetas Marte, Júpiter e Saturno possam ser inseridos, uma completa mudança é necessária em Dante. Vênus representa o amor pessoal. Agora, ele deve entrar em contato com uma nova onda de vida mais ampla e cósmica. (continua- clique aqui)

Nota1: O trecho acima refere-se à Divina Comédia, parte III- O Paraíso, cantos I a X. Uma versão destes cantos em português pode ser lida no Wiksource ou ainda no e-book completo da Divina Comédia do eBooksBrasil
Nota 1: Nota: a tradução de Dante- Inferno e Purgatório foram feitas por Maria Carolina Carvalho para a revista Serviço Rosacruz. A tradução de Dante - O Paraíso feita por Maria Lázara Franzini não consta na revista citada.