19/04/2013

A Evolução Escrita No Zodíaco

por J.C.Hiriart Corda(*) 
No caminho aparente que o Sol percorre, chamado Eclíptica, há grupos de estrelas que compõem as 12 constelações zodiacais.
Os primitivos astrólogos místicos, quando dividiram essas estrelas em 12 grupos, obedeceram a profundas razões místicas, as quais se relacionam com o adiantamento físico e espiritual do homem.
Ao observar essas estrelas e notar o esboço que se faz para fixar a posição de cada uma delas, a maioria das pessoas pensa imediatamente que os antigos sábios o fizeram sem uma razão científica e apenas com o fim de recordar a posição de cada estrela componente de um grupo ou constelação; porém veremos que isto não é assim.
Os antigos podiam ter medido a posição por graus, como fizeram com o círculo, entretanto dividiram as estrelas em grupos e a cada grupo representaram por meio de um desenho, geralmente, de animal.
Há alguns milênios, quando o Sol fazia a cruz equinocial em Câncer, a água que havia na atmosfera caiu em forma de chuva para depositar-se nas profundezas da Terra, deixando a atmosfera clara que hoje temos, iniciando um novo período evolutivo na onda de vida sobre a Terra.
Essa queda das águas é conhecida na Bíblia com o nome de Dilúvio.
Assim também veremos que o grande relógio sideral marcou a hora desse e de outros acontecimentos, porque quando o ponto equinocial estava em Câncer, foi quando se produziu o Dilúvio, pois o signo simbólico de Capricórnio, que lhe é oposto, está representado por uma cabra com cauda de peixe, representando a passagem das formas físicas do elemento água, ao elemento ar; assim iremos vendo como o signo oposto à constelação em que ocorre o equinócio de primavera representa o adiantamento ou evolução da forma física e o ideal religioso que precisa atingir a humanidade dessa determinada época.
Mais tarde, quando o Sol cruzava o equinócio na constelação de Geminis, a humanidade deixou o estado animalizado em que se achava e começou a olhar para o alto e o homem se fez verdadeiramente humano; isto está representado por Sagitário, oposto a Geminis, metade inferior animal e a outra metade superior humana, representando ao mesmo tempo que nessa época começou a luta verdadeira entre a natureza superior e a inferior.
Mais tarde, ainda nessa época, o homem adquiriu a mente e isso lhe permitiu dirigir suas aspirações ao céu como representa simbolicamente o centauro apontando a fecha para as alturas.
Depois o Sol chegou a Taurus, época em que o vulgo adorava o Touro, como sucedia no Antigo Egito. Porém, se observarmos as gravuras daquela época, veremos que a classe sacerdotal usava na cabeça um diadema com uma serpente que simulava sair do ponto situado acima do nariz; isto indicava que eles eram possuidores da Sabedoria Mística, ideal incompreensível para a maioria do povo que adorava o Touro Sagrado. A Sabedoria Mística possuída pelo sacerdócio está representada pelo signo oposto a Taurus, Escórpio, representado no Zodíaco Místico, por uma serpente, que é o símbolo da Sabedoria, pois também se chamavam serpentes aos antigos iniciados das Escolas Místicas.
Também foi a serpente quem fez nossos pais pecarem, significando que por conhecer a existência do mundo externo das formas, a humanidade viu que podia atuar livremente, contrariando as leis do Supremo Jeová; assim, pois, a "serpente de sabedoria" nos fez pecar, porém por causa das distintas experiências pelas quais temos passado, conquistaremos a virtude, que é superior à inocência que antes possuíamos. A virtude é a prática do bem com conhecimento do mal, quer dizer, uma faculdade positiva; a inocência é a prática do bem sem conhecimento do mal, ou seja, uma faculdade negativa.
Porém o tempo passou e veio o sacrifício de cordeiros na Palestina, época em que o sacerdócio já havia, em sua grande maioria, perdido contato com a sabedoria mística, interna; isto eles demonstraram por sacrificar com as próprias mãos inocentes vítimas ante os altares. E comia-se o carneiro da Páscoa no tempo da celebração dessa festa, a qual representava a passagem do Mar Vermelho, que está entre o Egito e a Ásia, pelo povo de Israel, pois a Páscoa vem de pesha ou pesaj, que significa passagem, sendo no Cosmos a passagem do Sol pelo Equinócio.
Também a Páscoa hebraica é a lembrança de não ter o Anjo, no Egito, exterminado os filhos de Israel, por terem estes marcado com sangue de cordeiro as portas de suas casas, cujo significado cósmico, é que, nessa época longínqua, quando o Sol estava na constelação de Áries (Carneiro) perto do ponto em que se produzia o Equinócio, doirava com seus raios as portas das casas dos Israelitas, pois esses construíam suas vivendas com a frente para o leste, ou seja, de onde vem a "LUZ". Assim também se construíram os primitivos tempos cristãos e era por causa dessa posição que os primeiros raios do astro do dia dourava as moradas do povo de Israel, quando estava em Áries.
Tudo isto ocorreu quando o equinócio estava na constelação de Áries, vindo o Cristo ao mundo, também nessa época, sendo chamado o Cordeiro de Deus e sacrificado no tempo da Páscoa.
Cristo veio implantar a igualdade entre os homens, o que está representado por Libra (a Balança), símbolo de justiça. A estrela de Cristo, ou seja o corpo cósmico de Cristo, é o Sol e os raios do astro rei simbolizam o sangue que marcava as portas das casas dos israelitas no Egito, sendo esses mesmos raios, o sangue que derrama o Cristo cósmico ao morrer na cruz equinocial.
Assim também vemos que as festas da religião crista são ocorrências cósmicas e fatos reais da natureza, sem os quais a humanidade pereceria sem lograr um desenvolvimento verdadeiro.
Cristo Jesus, o Filho de Deus, veio ao mundo a fim de salvar-nos de um atraso evolutivo, quando o equinócio ocorria no sétimo grau de Áries, mais o menos; e foi chamado o "Cordeiro de Deus". Entretanto, ele chamava seus discípulos de pescadores de homens, o que simboliza que a religião por Ele fundada entraria em ação quando o equinócio ocorresse em Pisces (os Peixes), que é a época atual, comendo os fiéis, durante esse tempo, pescados nos dias de jejum e nos dias santos de guarda. Porém, o ideal religioso da época atual está no símbolo oposto a Pisces, que é Virgo, a Virgem Celestial, ideal que ainda tem que alcançar a humanidade de hoje, pois atualmente adoram uma forma completamente material, ao passo que o significado, como sabem os místicos, é puramente espiritual. Além disso, levantando-se o mapa do céu na noite de 24 para 25 de dezembro, à meia-noite, aparece no Oriente (no ascendente astrológico) o signo da Virgem (Virgo), e, na parte inferior, como nascendo, aparece o Sol que, como já se disse, é o corpo cósmico do Cristo.
Quando a cruz equatorial celeste se produzir na constelação de Aquário representada por um homem que derrama água no seu cântaro, o homem derramará toda a água viva de sua sabedoria, chegando a um adiantamento inesperado, produzido pelo contato direto de sua mente com os raios do Cristo Cósmico, quando caírem da nossa atmosfera atual os últimos resíduos de umidade que ainda existem, deixando-a, portanto, mais etérica e tornando o homem verdadeiro rei da criação, o que está simbolizado pelo signo oposto a Aquário, que é Léo (o Leão) que representa a nobreza.
Embora atualmente o Sol, não cruze o Equador celeste na constela­ção de Aquário, a humanidade já manifesta um grande desenvolvimento mental, notado desde o meado do século passado. Isto é devido a que, ao efetuar a cruz equinocial, a aura solar põe-se em contato com as vibrações da constelação de Aquário, o Equador celeste. Aquário está representado no novo Testamento pela casa do Aguadeiro, na qual os discípulos de Jesus passaram a Páscoa e onde o Mestre disse que não beberia mais do sumo da vide, significando que na época de Aquário, a idade futura, o homem não beberá mais álcool.
O conhecimento que adquirirá a humanidade nessa época permitirá ao homem saber que deve aprender a Lei de Deus no grande livro da natureza e refletir na Terra, como fazem os astros no firmamento, a Vontade de nosso Pai que está nos céus, sendo assim brilhantes guias para seus irmãos menores, os seres dos demais reinos da natureza.
Hoje vivemos assombrados pelos grandes inventos do homem; a aviação é uma realidade, mas Júlio Verne foi tido por visionário. O rádio é outro invento que parecia impossível aos nossos avós, a televisão é outra realidade, porém todos esses inventos nada são, comparados com as descobertas da futura época de Aquário, quando as vibrações etéricas despertarem a intuição em grau elevado. Na época de Aquário, este poder interno permitirá ao homem desdobrar suas idéias até o infinito e a grande quantidade de conhecimentos acumulados no trans­curso dos séculos, permitirá, ao mesmo tempo, converter em realidade as visões internas.
Faltam mais ou menos setecentos anos para que o Sol entre por precessão na influência direta de Aquário. Se hoje pudéssemos tirar do túmulo um homem depois de haver passado um ou dois séculos sem observar o progresso do mundo, esse homem ficaria estupefato diante do avanço da ciência; a eletricidade seria para ele coisa do demônio e a mesma idéia teria ele de outros grandes inventos que não nos chamam a atenção.
O mesmo se daria conosco, se dentro de um século pudéssemos ver o adiantamento da humanidade. Na época de Aquário não haverá mais guerras, porque o desenvolvimento espiritual do homem permitirá sentir em seu coração as grandes verdades ensinadas pelo grande Jesus de Nazaré, hoje tão pouco conhecidas.
A Astrologia e a Filosofia Rosacruz ensinam que novas forças, ainda mais surpreendentes do que a eletricidade, serão descobertas, porém serão sem as maléficas aplicações a que o homem atualmente as destinam. Verdadeiramente falando, o homem atual é como um garoto que lida com instrumentos perigosos, empregando certos inventos para destruir seus semelhantes.
Na época de Aquário, uma humanidade mais nobre e melhor povoará a Terra e os grandes inventos serão usados para o bem comum de todos e então será uma realidade o que disse Jesus "As obras que eu faço vós também as fareis": Os sonhos dos místicos serão uma realidade para a humanidade do futuro, quando compreender essa palavra de Cristo em seu coração.
publicado na revista Serviço Rosacruz, fevereiro, 1972


 
(*) Hiriart Corda:  contemporâneo de Augusta F.Heindel foi um dos primeiros membros da The Rosicrucian Fellowship a divulgar a Filosofia Rosacruz no Uruguai. Por sugestão da Sra. Augusta escreveu o livro: "Los Astros e Los Mistérios de La Vida"



23/03/2013

Os Solstícios e Equinócios na Mitologia

 Adônis era um jovem e formoso caçador. Afrodite se apaixonou por ele e o seguia nas caçadas, para protegê-lo. Apesar de seus cuidados, um dia Adônis foi mortalmente ferido por um javali. Afrodite desesperou-se e Zeus, compadecido, resolveu preservar-lhe o amado.Mas condicionou que Adônis ficasse seis meses no Hades e seis meses na Terra.

Mensagem: Adônis representa o Verão e o Inverno. Enquanto Verão é vida abundante e bela, cheia de pujança. Mas a sabedoria de Deus (símbolo do javali) previu também o inverno em que tudo fica aparentemente morto, com a vida adormecida no solo (Hades), período indispensável ao repouso, assimilação e preparo para novo ano.
Perséfone (no mito grego; no mito romano o nome é Proserpina)era filha e Céres (deusa da Agricultura, cujo nome deu origem a cereal) Perséfone foi raptada por Plutão, deus do Hades, quando colhia flores no campo. Céres ficou desesperada e, na busca da filha, acabou negligenciando seus misteres agrícolas. Isto preocupou Zeus (Júpiter) eo levou a interceder por ela, junto a Plutão. Este concordou em libertá-la, desde que ela nada tivesse comido no Hades. Mas, infelizmente, Perséfone havia comido alguns grãos de romã, o que a ligava ao Hades. Então, só pode Zeus  conseguir que ela ficasse seis meses no Hades (como esposa de Plutão) e seis meses junto à mãe, na superfície da Terra.
 
Mensagem: Perséfone (ou Proserpina) é símbolo da Primavera e Outono. Como Primavera (colhendo flores no campo) é manifestação da vida na Terra ( filha de Céres). Ao mesmo tempo, para cumprir sua missão produtiva, deve enterrar sua semente na terra (a romã é representativa da fecundidade) para gerar (esposa de Plutão - signo gerador), até que, em nova primavera, os brotos aflorem à superfície em renovada oferta de amor (Céres em regozijo com sua filha).
publicado na revista Serviço Rosacruz,abril, 1976
Veja também: O Drama Anual Crístico 

09/02/2013

Simbolismo de Aquário

“No cântaro, Amigo, não cabe mais água. Dessa maneira, após teres estudado com afinco e te encontrares repleto de conhecimento, trata de distribuí-lo para poderes receber mais conhecimento. Como Ideal, tenha em mente o Homem de Aquário, com seu cântaro cuidadosamente equilibrado no ombro. É o símbolo do homem do futuro, que dará a todos, mas tão somente o que cada um necessite, com discriminação e amor.”
Max Heindel (traduzido da Rays from the Rose Cross)

Diz-se amiúde e com razão, por certo, que o rapaz é o pai do homem e sobre o mesmo princípio podemos dizer que o Filho do Homem é o Super homem. Portanto, quando o Sol entrar, por precessão, no signo ce­lestial de Aquarius, o Aguador, virá uma nova fase da religião do Cor­deiro exotèricamente, e o ideal que devemos perseguir está indicado no signo oposto: Leo. (1) 

A Lua, habitação do regente autocrático da raça e o dador de leis, Jeová, está exaltada em Taurus, o signo do Touro e quando o Sol tran­sitou, por precessão, por esse signo, todas as religiões de raça, mesmo a fase mosaica da religião ária do Cordeiro, pediram uma vítima propiciatória para cada transgressão da lei.

Mas o Sol está exaltado em Áries, e ao entrar nesse signo, por preces­são, o grande espírito solar, Cristo, veio como um Sumo Sacerdote da Religião Ária, e anulou o sacrifício de outros ao oferecer-se a Si mesmo como um sacrifício perpétuo pelo pe­cado do mundo.

Observando o ideal maternal de Virgo durante a Idade de Piscis e seguindo o exemplo de Cristo como um serviço de sacrifícios, a Imacula­da Concepção converte-se numa ex­periência real para cada um de nós, e Cristo, o Filho do Homem (Aquá­rio), nasce internamente.

Deste modo, gradualmente a fase terceira da religião Ária se manifes­tará e um novo ideal será encontra­do no Leão de Judá (Leo). Valor e convicção, fortaleza de caráter e vir­tudes semelhantes farão do homem realmente o Rei da Criação, digno da confiança e do afeto dos reinos in­feriores de vida, bem como do amor das divinas Hierarquias que sobre ele estão.

Assim, a mensagem mística da evolução do homem está marcada em caracteres de fogo no campo celestial, onde qualquer investigador pode ler. E quando estudemos o propósito de Deus, revelado no Zodíaco, aprende­remos a nos conformarmos inteligen­temente com Seus desígnios e deste modo abreviar o dia da emancipação de nosso limitado ambiente atual, para sermos perfeitamente livres co­mo espíritos, sobrepondo-nos à lei do pecado e da morte, por meio de Cristo, o Senhor do Amor e da Vida. 
 
Todos nós podemos e devemos de­cifrar a mensagem e resolver o mis­tério do Universo.
 
A entrada do Sol em Aquário, em que teremos mais estreita união com o Cristo, por uma forma elevada da religião do Cordeiro, está indicada, além do Zodíaco, no Evangelho de Lucas (22:10 e 11), Marcos (14: 13 a 15) e Mateus (26:18), pois o Cris­to Solar é simbolizado em Astrolo­gia pelo Sol, quer na evolução do homem, como das nações e do mun­do. Aquário às vezes é representa­do por uma mulher derramando água de um cântaro; outras vezes por um menino e outras ainda, por um ho­mem. A figura humana simboliza o Cristo já crescido no ideal dentro de nós; a água que se derrama sob controle do cântaro,significa o equilíbrio das emoções. Será, pois, a época do Amor racional, inteligente, o equilíbrio en­tre o coração e a mente, preconizado pelos Rosacruzes.
extraído da revista Serviço Rosacruz, janeiro, 1964

05/01/2013

Interpretação Astrológica do Salmo 23

O Senhor é meu pastor, nada me faltará.
 
Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente à águas tranquilas.
 
Refrigerá a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor de seu nome.
 
Ainda que eu andasse pelo vale da sombra e da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.
 
Preparas uma mesa perante mim na presença de meus inimigos; unges a minha cabeça com óleo; o meu cálice transborda.
 
Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão por todos os dias de minha vida; e habitarei na casa do Senhor para sempre. 
                                    (Salmo 23: 1-6) 
 
A impressão é que esse Salmo foi escrito especialmente para nós que vivemos nestes dias de inquietação e insegurança, pois: 1) Pela repetição de suas palavras, adquirimos uma sensação de paz e segurança. 2) Embora simples, ele possui uma enorme profundidade devocional. 3) Sendo a última linha uma profecia, é um canto de fé à Deus. 4) Este Salmo conta as belezas da espiritualidade, a generosidade de Deus e suas bênçãos. 5) Pelo uso deste Salmo, recorremos – em forma de oração – às Doze Divinas Hierarquias Zodiacais/Planetárias.

A Bíblia foi dada ao mundo Ocidental, pelos Anjos do Destino, que estão acima de todos os erros, e dão a cada um e a todos, exatamente o que necessitam para o seu desenvolvimento. Por conseguinte, se procurarmos a Luz, encontrá-la-emos na Bíblia. (Ritual Rosacruz do Serviço do Templo) .

Vamos, abaixo, analisar o Salmo 23, por meio da chave astrológica, tendo em mente que a palavra Senhor, pode referir-se também ao nosso Cristo Interno.

O SENHOR É MEU PASTOR - A Lei Cósmica é nosso pastor ou guia em nossa peregrinação através da matéria, como nos informa Max Heindel, no Conceito Rosacruz do Cosmos, através dos Períodos, Revoluções e Épocas. ÁRIES é o primeiro signo zodiacal, elemento fogo. Esta Hoste de seres altamente evoluída, identifica-se com a ação, o agir, o Princípio da Vontade. Para o ajustamento de nossas vidas ao Plano Evolutivo, torna-se necessário grandes esforços de nossa parte, intensa atividade anímica, o realizar, o fazer, o agir. “Assim também a fé, se não tiver Obras, é morta em si mesma” (Epístola de São Tiago – 02:17)

NADA ME FALTARÁ – Trabalhemos honestamente para o nosso sustento, mas também com o objetivo de auxiliar nossos semelhantes, e assim construir nosso Corpo Alma. Evitemos a identificação com as posses materiais, e vejamos nelas grandes oportunidades de auxilio à humanidade. TAURO nos fala em compartilhar o que temos materialmente, com nossos semelhantes. Max Heindel, em “Iniciação Antiga e Moderna” Capitulo II – O Altar de Bronze e o Lavado , nos fale em “... construir um templo sem ruído de martelo para nele servir.. deve também consagrar-se e santificar-se, deve deixar toda posse terrestre para poder seguir o Cristo Interno. No entanto , pode conservar suas posses materiais usando-as com fé e sabedoria, como um sagrado depósito que lhe é confiado. Signo fixo do elemento terra, Tauro está associado à segunda casa zodiacal, casa relacionada com posses, dinheiro, bens, finanças, lucros e tudo aquilo que materialmente se adquire.

Evoluiremos muito, se refletirmos nas respostas a estas perguntas:

Que uso faço de minhas posses para servir amorosa e desinteressadamente meus semelhantes?

Qual o real significado do Eu Tenho ?

Como vejo e avalio em termos espirituais os bens materiais?

De que forma compartilho o que possuo com meus semelhantes?

O que significa para mim as palavras de Cristo: Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo (Mateus 06:33).?

Qual o significado de Mateus 06: 19 e 20: Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros nos céus, onde nem a traça nem a ferrugem consomem e onde os ladrões não roubam. ?

DEITAR-ME FAZ, EM VERDES PASTOS – Somos levados, neste versículo ao campo da mente, à GEMINI. Nos esforcemos para que nossa mente sempre esteja ocupada com sentimentos elevados e ideais devocionários. Que possamos ser “verdes pastos” para nossa mente. Em nosso Ritual do Serviço do Templo, lemos que “agora conhecemos em parte, então conheceremos como também somos conhecidos. “Á medida que sublimemos nosso Eu Inferior, e alimentemos nosso Eu Superior - auxiliando amorosa e desinteressadamente os nossos semelhantes - novos horizontes de espiritualidade irão descortinar-se.

Para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em caridade, e enriquecidos na plenitude da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus – Cristo. (Epístola de São Paulo aos Colossenses 02:02)

GUIA-ME MANSAMENTE Á ÁGUAS TRANQUILAS – Agora nos deparamos com o signo de CÂNCER, um signo do elemento água. E o que seriam as águas tranquilas, a que se refere este versículo? Câncer é o primeiro dos três signos deste elemento, ele que nos concebe, nutre, alimenta. É a Mãe do Zodiaco, rege o estomago, preparando o alimento para a digestão, e nos seios provê a nutrição para o recém nascido. O elemento água, refere-se esotericamente às emoções, e este versículo nos exorta a trabalharmos nossas emoções, de modo a tornarem-se águas tranquilas. Os exercícios de concentração/retrospecção, ensinados pela Fraternidade Rosacruz, nos são de grande utilidade nesse sentido. Nos Evangelhos, Cristo caminhou sobre as águas, ou seja, tinha domínio pleno sobre as emoções. Procuremos imita-lo.

Mas considerai isto; se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa. (Mateus 24:43 )

REFRIGERA MINHA ALMA – É no lar do Sol – representado em nosso Corpo Denso pelo coração – que temos a explicação dessa frase. Os Senhores da Chama, a Divina Hierarquia Zodiacal de LÉO, nos transmite a mensagem de que o serviço amoroso (coração) e desinteressado aos nossos semelhantes é o único caminho para que possamos galgar esferas mais elevadas de espiritualidade. João, o evangelista diz que “... a vida era a Luz dos homens, e a Luz resplandece nas trevas, e as trevas não o compreenderam...” Quando praticamos uma vida dedicada ao servir, encontramos refrigério espiritual. E disse um dos anciãos: Não choreis : eis aqui o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, que venceu, para abrir e desatar os seus sete selos (Apocalipse 05 : 05)

GUIA-ME PELAS VEREDAS  DA JUSTIÇA - Mercúrio, mensageiro de VIRGO, o planeta da razão, ajuda-nos a desenvolver o discernimento necessário para analisar nossa conduta claramente. Por meio deste discernimento, os frutos da experiência são assimilados, absorvidos, amalgamados, afetando dessa maneira nosso Corpo Vital, onde inicia-se nosso progresso espiritual. Aqui novamente, vemos a grande utilidade dos exercícios de concentração/retrospecção, ensinados pela Fraternidade Rosacruz. Porque eu vos darei boca e sabedoria a que não poderão resistir nem contradizer todos quantos vos opuserem (Lucas 21:15)

POR AMOR DE SEU NOME – A confusão existente no mundo é um reflexo daquilo que o homem criou em sua consciência. Agora, por meio de LIBRA, devemos aprender a equilibrar nossos pensamentos, palavras e obras. Vênus tem como uma de suas palavras básicas, o amor. E é fácil usarmos a lógica para deduzir que a balança (Libra) de nossas vidas deve estar equilibrada amorosamente (Vênus). No Ritual Rosacruz do Serviço do Templo, temos a passagem da Epístola do apóstolo Paulo aos Filipenses, “...Pelo que Deus o exaltou soberanamente e Lhe deu um nome que esta acima de todo o nome, para que o nome de Cristo-Jesus, se dobre todo joelho, e toda língua confesse que Cristo Jesus é o Senhor, para a glória de Deus Pai...” No livro de Jó, Antigo Testamento, atribuído à Moisés, quando estava entre os Medianita (ou seja num exílio) e escrito por volta do ano 1.520 A.C. lemos que: “ ... Tens tú a notícia do equilíbrio das grossas nuvens e das maravilhas daquele que é perfeito nos conhecimentos ? (37:16)

AINDA QUE EU ANDASSE PELO VALE DA SOMBRA E DA MORTE, NÃO TEMERIA MAL ALGUM – Aqui, temos o mistério da vida! A relação do rastejante escorpião, e a águia voando majestosamente pelos céus. Sob o signo de ESCORPIÃO aprendemos que um esforço se faz necessário para que sublimemos nosso Eu Inferior (escorpião rastejante) em Eu Superior (águia). Dessa forma, estaremos construindo uma manjedoura onde nosso Cristo Interno irá nascer. No Evangelho de João, 08:51, lemos que “Em verdade, em verdade  vos digo que, se alguem guardar a minha palavra, nunca verá a morte. “ 

TUA VARA E TEU CAJADO ME CONSOLAM – Vara/Cajado, representam aqui nossa força criadora, que direcionada para cima,  colocarão em vibração nossas duas glândulas endócrinas (Pineal e Pituitária). Muito significativo o símbolo de SAGITÁRIO: um centauro, metade animal (natureza inferior) e metade humana (natureza superior). Este centauro aponta sua flecha para cima, indicando nosso verdadeiro lar. “ Tú, pois, converte-te a teu Deus; guarda a beneficiência e o juízo, e em teu Deus espera sempre” (Oséias 12:06). Associemos “teu Deus”, com a Divindade Interna (Eu Superior) que todos nós temos, individualmente. A palavra beneficiência, está intimamente relacionada à Divina Hierarquia Planetária de Júpiter, regente de Sagitário. Sugerimos – para informações mais detalhadas - o livro “Iniciação Antiga e Moderna “ de Max Heindel, capítulo IV/A Arca da Aliança.

PREPARAS UMA MESA PERANTE MIM, NA PRESENÇA DE MEUS INIMIGOS – Mesa, é o local onde realizamos nossas refeições, nossa alimentação. Este versículo nos exorta a compartilharmos o alimento com nossos (pseudos) inimigos. Vamos oferecer aos nossos inimigos o que temos de melhor: Nosso Eu-Superior. Devemos perdoa-los, orar e principalmente, auxilia-los. CAPRICÓRNIO nos pede responsabilidade e disciplina antes de prosseguirmos nossa jornada evolutiva, e uma das formas de se conseguir isso, é compartilhar nossa mesa, com nossos inimigos. Bem aventurados aqueles servos, os quais, quando o Senhor vier, achar vigiando! Em verdade vos digo que se cingirá, e os fará assentar à mesa, e, chegando-se , os servirá. (Lucas 12:37)

UNGES A MINHA CABEÇA COM ÓLEO, O MEU CALICE TRANSBORDA – Uma conduta essencialmente cristã é o óleo derramado em nossa cabeça (cristificação de nossas glândulas pineal e pituitária, localizadas na cabeça). Nosso Cristo (Interno) unge estas glândulas, onde nosso cálice (Corpos Denso, Vital, Desejos e Mente), transbordam de Éter Crístico. A Fraternidade Rosacruz, é o arauto da Idade de AQUÁRIO, sendo seus ensinamentos plenamente uníssono com o Cristianismo Esotérico. Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. (João 15:13)

CERTAMENTE QUE A BONDADE E A MISERICORDIA ME SEGUIRÃO TODOS OS DIAS DE MINHA VIDA, E HABITAREI NA CASA DO  SENHOR PARA SEMPRE - Em virtude de transgredir as Leis Divinas, o homem criou para si, Dividas do Destino. A Lei de Causa e Efeito tornou-se necessária. Contudo temos o livre arbítrio de – pela bondade e misericórdia – colocar em movimento novas situações (epigênese) que nos farão habitar a casa do Senhor para sempre (elevadas esferas de espiritualidade). PISCES nos convida a refletirmos sobre a relação de nossos pés (regência pisciana), base que suporta nosso corpo com a base que temos que desenvolver: uma vida de serviço a nossos semelhantes. “Depois deitou água numa bacia, e começou a lavar os pés dos discípulos, e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido. (João 13:05). Nossos pés , astrologicamente/anatomicamente, estão relacionados com a Divina Hierarquia Zodiacal de Peixes e à 12ª Casa Zodiacal, casa esta relacionada também com nossas dívidas do destino, contraídas nesta ou em vidas passadas. Cristo “lavou” os pés dos apóstolos, tornou limpa suas respectivas 12º Casa, lavou-lhes as dívidas do destino. Vejamos aqui um simbolismo muito rico. Nosso trabalho deve ser o de nosso Cristo Interno, lavar nossa 12ª Casa Zodiacal, nossas dívidas do destino contraídas. E a única forma para isso é:
SERVIR AMOROSA E DESINTERESSADAMENTE A NOSSOS SEMELHANTES.
adaptado por Jonas Taucci de um artigo publicado na revista Serviço Rosacruz, abril,1973

15/12/2012

Ascendente

Primeiro de: QUATRO POEMAS ASTROLÒGICOS
por Eduardo Aroso

Aqui estou de volta
Agora nesta vida,
Volteando sempre
Na eterna subida.

De novo abro a janela:
Tal qual a construí,
Assim vejo através dela.

 

do livro: CAMINHO PARA A ROSA, Eduardo Aroso publicado pelo Centro Rosacruz Max Heindel, MINDE, Portugal, 2008

30/10/2012

De Escorpião a Águia

Ainda hoje observamos, em muitas construções antigas de igrejas ca­tólicas, quatro estátuas em cima do frontispício: são os quatro Evange­listas, Mateus, Marcos, Lucas e João, tendo aos pés os símbolos dos quatro signos fixos que outrora compunham a esfinge: Escorpião (representado por uma águia), Leo (por um leão), Taurus (por um touro) e Aquárius (representado por um homem.). É uma influência da primitiva igreja, pois os antigos Pais da Igreja conservavam o conhecimento dos mistérios cristãos e sabiam muito bem a parte esotérica e a relação entre as forças cósmicas (astrologia espiritual) e a evolução humana. Os Evangelhos são escolas iniciáticas diferentes. Dentre as coletâneas feitas pelos diferentes discípulos de Cristo-Jesus e por seus seguidores diretos, foram escolhidas apenas quatro, que hoje, divididos em capítulos, constituem os evangelhos. As demais foram consideradas apócrifas ou não inspiradas. Mas havia uma razão de ser nessa escolha. Tais evangelhos ou métodos iniciáticos formam as linhas angulares que determinariam o horóscopo e evolução do Cristianismo.
Podem alguns estranhar que Escorpião seja ali representado pela águia, como o foi na esfinge misteriosa. É que Escorpião, representando as forças criadoras, em que se fundamenta todo o nosso poder potencial encerra vários símbolos. Cada um deles exprime um estágio evolutivo.
As forças ocultas no homem são um mistério, cujo conhecimento e domínio nos abre as portas da regeneração e libertação, para a recon­quista da condição de filhos de Deus (religação ou religião verdadeira). Por isso rege o sexo e a força motriz emotiva. Por isso rege a oitava casa do horóscopo, que expressa regeneração ou degeneração, segundo os planetas e aspectos de cada tema.
Na fase primitiva da evolução, escorpião rasteja na paixão, escravizando o nativo às exigências dos sentidos, No aspecto espiritual, pica por detrás, com a cauda, mostrando o lado negativo em que vivíamos, como médiuns grandemente influenciados e dirigidos de fora. Aqueles que se iniciavam nos mistérios e alcançavam o desenvolvimento posi­tivo de suas faculdades, eram relacionados com a serpente, que pica pela frente, mostrando o aspecto positivo, independente. Nos mistérios egípcios, os Najas ou serpentes levavam uma serpente que parecia sair da raiz do nariz (lugar da consciência individual, do espirito divino). Esses eram. desenvolvidos positivamente nos mistérios. Eram clarividentes voluntários. Os involuntários, que tinham a mesma condição dos médiums espíritas de hoje, traziam uma serpente desenhada no ventre, na altura do plexo solar. Estas posições da serpente mostravam que, no desenvolvimento positivo é o espírito interno que alcança a possibilidade de vôos d'alma, saindo e entrando do corpo, pela cabeça (entre as comissuras dos ossos parietais e occipital), ao passo que, no desenvolvimento negativo, é um espírito estranho que expulsa o espírito residente e penetra no corpo pelos órgãos sexuais ou pelas paredes etéricas, rompidas do plexo.
Na Bíblia temos várias passagens elucidativas desses dois estados. Os Israelitas tomaram a palavra "Naja" e modificaram-na com sufixo negativo, feminino "OTH", que nos dá NAIOTH e o final positivo masculino "IM" para a clarividência positiva. Saul foi a Naioth (foi tomado por espírito e divertiu os outros com as tiradas proféticas. Cristo-Jesus foi a Naim e resuscitou o Filho da Viúva (iniciação de Lázaro).
Mercúrio, o símbolo da razão, também leva uma serpente a sair-lhe do chapéu; é indicação de que, com o chapéu de Mercúrio a razão, chave evolutiva da presente época Ariana, o homem é livre e independente de influência externa para evoluir.
Quando, no antigo Egito, a pessoa levava duas serpentes a sair-lhe da fronte, indicava exercer dois poderes: de rei e de sacerdote.
Naja (Uraeus) é um emblema de Sabedoria. Cristo se refere aos de­tentores dessa Sabedoria quando aconselhou a sermos "sábios como as serpentes". Na índia, os guardiães dos mistérios eram chamados "nagas'-ou serpentes. Nos "Eddas" de Islândias vemos que Siegfried, investigador sincero, degolou a serpente, provou seu sangue e se converteu num sábio.
Ora, o veneno é um símbolo da força criadora, Siegfried o bebeu e tornou-se sábio. Quem usa o veneno (poder, força sexual) de forma indevida, pica por detrás e torna-se réu ou vítima do próprio veneno como o escorpião ao matar-se, diante do perigo. Mas quem usa essas forças de forma positiva e justa, pica pela frente, como a serpente (razão).
No mês de julho sairá um artigo muito interessante acerca de Escor­pião (*). É uma valiosa contribuição ao conhecimento da astrologia e da psicologia profunda, para mostrar como essa força age e a necessidade de ela ser transmutada, transubstanciada. Quando, pela regeneração da natureza criadora, transubstanciamos essa força dentro de nós, alcançamos a condição de águia a que voa em busca das alturas, não com as asas de cera de falso desenvolvimento de um Ícaro, mas com asas reais, que nos torna possível deixar a prisão da ilha de nosso corpo.
Os alquimistas costumavam comparar o homem a um forno e representavam-no com uma chama inferior para queimar e sublimar em forma de vapor, a líquida natureza da força de Escorpião. De fato sabemos que na medula espinhal do homem circula um gás, a força de Netuno que rege as faculdades supranormais. Esse gás pode converter-se no líquido passional que procura exteriorização pelo sexo ou pode ser incendiado pela aspiração e prática de ideais superiores, caso em que, eleva-se pelo tubo (medula) do forno (corpo humano) e vai fazer vibrar os dois centros espirituais da cabeça, (da pineal e da pituitária), estabelecendo com a persistência do processo regenerativo, uma ponte vibratória entre esses dois centros. Abrem-se, então, os olhos espirituais e alcançamos a visão dos planos internos da natureza, atualmente encobertos para os olhos carnais do homem comum.
Ora o que cegou o homem foi a queda e o uso do álcool e outros ex­citantes. Por isso a Fraternidade Rosacruz recomenda aos aspirantes a graus superiores o abandono da carne, (que está impregnada pela paixão animal, pois como diz a Bíblia, "a alma do animal está no san­gue"), do álcool, do fumo e de outros tóxicos que dificultam o pro­cesso regenerativo.
O modelo divino do tabernáculo dado a Moisés no Monte previa pre­cisamente a elevação humana da degeneração em que estavam, para a regeneração. O Altar dos Sacrifícios simboliza a força criadora vol­tada para a satisfação egoísta de todos os desejos do homem. Ela deve ser queimada (sublimada) com sal (arrependimento). O odor que se elevava da queima agradava ao Senhor.
Mas naquele tempo o homem não estava preparado ainda para o sa­crifício de si mesmo e os Seres Superiores determinaram que sacrifi­cassem suas posses (machos bovinos e ovinos) além dos dízimos. Com o advento de Cristo e a purificação dos estratos da Terra o homem alcançou a possibilidade de fazer de si mesmo, sob uma orientação racional, um sacrifício vivente. O Tabernáculo, que era uma sombra das coisas que viriam, antecipava essa possibilidade expressa por Paulo apóstolo quando diz em Efésios 4:22 a 24:  "que nos despojemos do homem velho e nos revistamos do homem novo em novidade de espírito". E ainda mais, em Iº Coríntios 15:42: "ressuscitarmos da corrupção para a incorrupção, de corpo animal para o corpo espiritual". O tabernáculo é nosso corpo, o Templo de Deus Vivo, Interno. Se queremos trabalhar eficazmente a serviço da humanidade, alcançando, ao mesmo tempo, para nós, a verdadeira felicidade, é necessário que passemos além dos homens comuns que funcionam apenas no pátio externo do tabernáculo, no lado inferior. Aprendendo a queimar os atos errôneos de cada dia, com o fogo da consciência, durante a retrospecção noturna, podemos lavar-nos e purificar-nos, a fim de entrar durante o sono, no Santo (Sala Oriental) e lá trabalhar como Auxiliares Invisíveis inconscientes, a serviço da humanidade. Mas não basta isso, é necessário que durante o dia aproveitemos todas as oportunidades de bem agir. Só podemos ser eficientes Auxiliares Invisíveis quando aprendemos a ser, aqui agora, Auxiliares Visíveis provados pela prática e não simplesmente em teoria e aspiração.
Assim, o bem agir e uma retrospecção bem feita nos permite extrair a essência do serviço prestado, para oferecê-la aos semelhantes durante o trabalho noturno a que nos consagramos diariamente.
Desse modo afirma - Max Heindel com o conhecimento de causa - o maior criminoso pode transformar-se radicalmente. É um trabalho de repetição no bem, de automatização do certo, deixando de lado, procurando esquecer o lado inferior, que morrerá de inanição, aos poucos. E um dia chegará em que, suficientemente equilibrados para nos dirigir seguramente no Mundo dos Desejos, somos visitados pelo Mestre e convidados a entrar no Santíssimo (Sala Ocidental). Esse extremo ocidental do Tabernáculo é a nossa cabeça, onde estão os dois querubins (pineal e pituitária) ligando suas asas (ponte vibratória) sobre a arca, dentro da qual estão: as tábuas da lei (a observância consciente e espontânea nas leis naturais), a vara de Aarão (o fogo espinhal de Netuno, com todo seu poder potencial) e o Maná (o Espirito triúno).
Mas essa transubstanciação é assunto delicado. Por isso fazemos o presente artigo, na esperança de reforçar e assegurar uma boa com­preensão do que sairá em julho, sobre o assunto.
O homem precisa conhecer-se (Nosce Te Ipsum) por um estudo criterioso de seu horóscopo, tomar consciência de seus pontos frágeis e fortes e depois trabalhar vigilantemente por sua regeneração, seguindo um roteiro pessoal. Os pontos frágeis principalmente os complexos impulsos emocionais e sexuais, não são sublimados pelo combate. Cristo recomenda mui oportunamente que "não resistamos ao mal", isto é, que não pensemos nele, que não Ihe demos consideração pois, cada vez que pomos uma idéia na consciência fortificamo-la com nossa atenção. Consegui bons resultados, mantendo-me sempre ocupado em coisas nobres e prazerosas. Os Santos são muitas vezes representados, pisando uma serpente. S. Jorge matou o dragão. Também nós, para dominar a força emocional de Escorpião, devemos unicamente estar alertas contra seu automatismo astuto e subtil e pensar e agir unicamente no que seja construtivo.
Há muitas coisas por aí a conspirar contra nosso aperfeiçoamento. Não faz mal. Não podemos ficar num convento. A oficina de aperfeiçoamento é aqui mesmo, no meio da tentação. É a única forma de provarmos para nos mesmos se estamos seguros para enfrentar provas maiores. Estejamos alertas contra as insidiosas sensações e imagens que, pela televisão, pela revista, podem acumular-se e insidiosamente incitar-nos a natureza inferior. Olhemos o lado bom de cada coisa, desconcertando o mecanismo do subconsciente instintivo. Isto é vigiar e orar.
E, como ainda não somos santos, cuidadosamente demos vazão ao vapor da natureza emocional que se acumular, porque senão estoura a caldeira. Escorpião rege esse impulso de liberação e devemos ser prudentes. Mas, entre ser prudentes e condescendentes com o instinto, vai uma grande distância.
O ponto de relevo do artigo de Elman Bacher (*) é o perigo do recalque, isto é, não sublimar natural e inteligentemente a força instintiva e apenas querer contê-la, à força de vontade ou por inibição. Isto é realmente um perigo. Na Lenda de Parsifal, Klingsor, buscando ser um dos cavaleiros do Graal (ser repentinamente elevado), mutilou-se, vedando a si mesmo a satisfação instintiva. Mas, com a vista espiritual o Guardião do Castelo percebeu-lhe o íntimo tenebroso e passional e não lhe permitiu o ingresso. É o problema da circuncisão debatido por Paulo Apóstolo. O corpo de desejos é distinto do corpo se bem se expresse através dele, como Klingsor o fazia com Kundry, quando a despertava antes que os cavaleiros do Graal o fizessem, utilizando-a em propósitos egoístas. Klingsor morava no "vale", indicativo da parte baixa do corpo, onde se situam os órgãos sexuais, expressão inferior da força emocional. O castelo do Graal estava no "monte", isto é, na Cabeça. Os cavaleiros são o gás netuniano. Atraí­dos e seduzidos pelas flores-deusas, deixam-se exterminar por Klingsor. Parsifal foi tentado e venceu a prova. Mas teve, ademais, que provar seu valor altruístico, sofrendo e servindo, usando seu poder em benefício dos demais e nunca para si.
Assim também nós, temos tudo isso dentro do nosso reino interno e é mister alcançar o mérito de Parsifal, não insensatamente como Anfortas, mas sabiamente, como "serpentes" que desejam transmutar-se em águia.E das cinzas da queima da natureza inferior elevar-se-á, gloriosamente, em repetidos renascimentos, cada vez mais luminosos, a Fênix!
publicado na revista Serviço Rosacruz, junho, 1966 - mantida a ortografia da época 
(*)O autor refere-se ao texto Plutão - Princípio do Fogo Congelado de Elman Bacher, parte1,publicado na revista Serviço Rosacruz, julho 1966. (Ver)